Touka gemeu quando Kaneki desconectou os dois corpos suados e já saciados. Ele rolou pro lado, puxando o lençol sobre os dois e ela se aconchegou nos braços dele.
— Foi maravilhoso – Touka disse.
— Concordo – agora era a vez dele de ser monossilábico.
Touka recuperou a respiração primeiro que Kaneki e olhou atentamente para ele, enquanto puxava o lençol sobre os seios e levantava o braço para apoiar a cabeça.
— Kaneki... – Começou hesitante. Ela não queria contar a ele, não ainda. E ainda nem sabia ao certo se as suas desconfianças eram verdadeiras.
Kaneki olhou para ela, a respiração dele muito mais suave agora.
— Eu queria perguntar sobre a Eto – Touka continuou hesitante, ainda mais agora que Kaneki a encarava de modo interrogativo.
— Sobre a Eto? – Kaneki indagou sem entender. O que Touka queria saber, afinal? Ela e Eto não tinham nada a ver. Sua estranha pergunta estaria relacionada ao Sr. Yoshimura?
— Não exatamente sobre ela – Touka continuou hesitante, e agora ainda mais receosa em perguntar o que precisava e Kaneki desconfiar. — mas sobre como ela sobreviveu. Você sabe, a mãe dela era humana..
Kaneki piscou surpreso, ainda sem entender a razão do interesse de Touka pelo assunto.
— O que a mãe de Eto fez para que o bebê continuasse vivo dentro dela?
Touka se sentia uma idiota e bastante apreensiva, principalmente naquele instante, quando Kaneki a encarava com desconfiança e sem compreender onde ela queria chegar.
Ou ele já havia compreendido, mas estava esperando ela contar? Que tal pensamento não fosse verdade, ela pediu silenciosamente. A existência dessa criança ainda era incerta e, mesmo se já fosse confirmada, não seria o momento certo de contar a ele, não quando ainda nem sabia o que fazer.
Kaneki fitou ao longe, pensando na resposta.
— A mãe da Eto se alimentava exatamente do que o bebê precisava, assim eu soube – explicou Kaneki. — Carne humana.
— Mesmo a mãe sendo humana? – Touka indagou, imaginando como devia ter sido para uma humana cometer canibalismo.
Um ato de amor, pensou. Um enorme amor materno mais forte do que qualquer desejo egoísta.
Kaneki suspirou.
— Talvez, nesse caso, a genética ghoul prevaleça. Mas pode não ser assim com todos – completou.
Touka assentiu vagamente.
Se a mãe de Eto se alimentou de carne humana para manter o bebê, então ela teria de fazer o oposto: se alimentar do que os humanos se alimentam. A influência paterna devia ser mais forte sobre a genética da criança, pensou.
E Kaneki ainda tinha genética humana, apesar de tudo.
— Entendo... – respondeu totalmente absorta em pensamentos bem-vindos, e outros nem tanto.
Quando Touka aterrisou de volta à realidade, percebeu que Kaneki ainda olhava para ela, tentando entender.
— Se sentiu curiosa a respeito? – Ele perguntou, e não parecia ter qualquer vestígio de desconfiança ou conhecimento em suas palavras ou expressões. Kaneki, embora muito inteligente, não parecia saber o que realmente estava acontecendo com Touka.
— Acho que sim – ela respondeu receosa, ainda mais agora quando ele olhava tão intensamente para ela.
Kaneki não transpareceu, mas, no fundo, sentia-se contente pela curiosidade de Touka. Isso indicava que ela queria ser mãe, carregar um fruto do amor que um sentia pelo outro e que ambos confessaram tão recentemente. Apesar do que vinha acontecendo, da guerra, dos conflitos duradouros, ele também pensava, e queria, ter uma família com ela.
Mas, por ora, seria melhor continuar continuar se protegendo, pois, mesmo que ambos já não fossem tão jovens, ainda não era o momento.
Kaneki pôs uma mecha do cabelo curto dela para atrás da orelha e aproximou-se para selar seus lábios. Touka, ainda extasiada pelo momento anterior, deixou-se ser dominada pelo desejo, o que só fez intensificar o beijo e começarem tudo novamente.
Touka tentou não vomitar mais uma vez enquanto se forçava a comer mais um pedaço do hambúrguer que Nishio lhe trouxera; já estava um pouco menos da metade.
Sim, aquilo era um ato de amor, assim como a mãe de Eto um dia fizera.
E o seu filho, que ainda nem havia nascido, mas já era muito amado, valia cada sacrifício.
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