O cor-de-rosa
Naruto continuou trabalhando no vinhedo, ainda nutrindo esperanças de que poderia encontrar Sakura. Até que ele sentiu que já seria a hora de que a promessa de os dois ficarem juntos poderia ser cumprida.
Então, ele viajou até Konoha para finalmente encontrar o amor de sua vida. Porém, o que encontrara não o deixou nem um pouco feliz.
A casa estava mudada, os jardins já não eram tão lindamente cuidados como antes, e havia uma outra família morando naquela casa. Onde estaria Sakura?
Foi então que ele conheceu Moegi, uma jovem simpática, mãe de dois meninos. Seu marido trabalhava no ramo da imobiliária.
Na esperança de que Sakura pudesse retornar, de alguma forma, Naruto permaneceu naquele lugar e começou a trabalhar como jardineiro para a nova família.
Naruto, Moegi e os dois meninos estabeleceram uma amizade duradoura e confiante. Mas, ainda assim, Naruto sentia um peso no coração por Sakura não estar lá.
Secretamente, Moegi tinha encontrado um pequeno álbum de recortes na cabana onde Naruto havia passado um bom tempo, e começou a ler sobre uma história de amor impossível da antiga proprietária da casa com um charmoso jardineiro.
Ela não fazia idéia de quem seria M.U., mas sentia-se triste por aquela história, principalmente quando vivenciava um casamento prestes ao término.
♧
Naruto estava sentado no banco sob a sorveira, e as crianças cavavam um buraco entre os larícios junto ao pombal.
– Você se importa se eu lhe fizer companhia? – perguntou Moegi.
– Por favor. Como está se sentindo? – indagou ele.
Ela sentou-se ao lado dele e suspirou.
– Udon me escreveu uma longa carta de amor. Ele se desculpou, disse que se arrependeu de tudo e que me quer de volta. Encheu a minha cozinha de rosas vermelhas.
– É um bom começo.
– Decidi deixá-lo ver as crianças neste fim de semana. Irei ao Centro com Nakami e me hospedarei num bom hotel. Afinal, a briga não é delas. Por que elas deveriam sofrer?
– Você é muito sensata.
– Eu gostaria de ser. Você é sensato. – Ela respirou fundo. – Você é um homem incrível, Naruto. Sensato, bom e adorável com as crianças. E também é solidário comigo. Passei a confiar em você. Na verdade, estou me apaixonando por você.
Ele não respondeu, mas a abraçou.
– Moegi, você não está apaixonada por mim. Está confusa.
– Não estou. Acho que me apaixonei por você no dia em que Shiro o trouxe até a nossa casa.
Ele tentou encontrar as palavras certas para não magoá-la.
– Não posso retribuir o seu amor. Não da forma que você gostaria.
Moegi sentiu as lágrimas aflorarem e tentou afastá-las.
– Você não pode?
– Eu a amo como uma amiga. Sempre amarei outra mulher. Ninguém jamais poderá tomar o lugar dela no meu coração.
– Quem é ela?
– Alguém que conheci há muito tempo. Era casada, com filhos. Vivemos um amor impossível.
– Ela ficou com o marido?
– Não quis abandonar os filhos. O amor dela por eles era mais profundo. Era a coisa certa a ser feita. Isso foi há muito tempo. Eu era jovem. Agora sou velho. Tenho dedicado a ela cada ano da minha vida desde o dia em que nos separamos, há dezoito anos atrás.
– Você nunca tentou ir em frente? – Moegi estava surpresa por tamanha devoção. – Eu não achava que as pessoas hoje amassem assim.
– Quando se ama assim, não se consegue ir em frente. Eu vivi uma grande história de amor, e nada menos que isso me bastaria.
– Como ela era?
– Era única, divertida e doce. Uma jardineira talentosa. Ela me ensinou tudo o que sei.
Moegi sentiu que tinha ouvido essa história em algum lugar antes. De repente ficou tonta com a compreensão de que o álbum de recortes secreto que tanto havia prendido a sua imaginação talvez tivesse sido destinado a ele. Será que Sakura Uchiha tinha amado Naruto Uzumaki?
– Quanto tempo o caso de vocês durou? – perguntou ela.
– Um ano – respondeu ele.
Agora tinha certeza. Mas o que M.U. significava? Ela teria de reler o álbum para encontrar a resposta.
♧
Moegi entrou às pressas em casa. O álbum de recortes era tão grosso, com tantas páginas. Se Naruto fosse mesmo M.U., então não era coincidência que ele tivesse vindo trabalhar em seus jardins. Ele tinha vindo para encontrar Sakura, mas, em seu lugar, encontrara Moegi e a família dela. Era por isso que parecia tão triste. Sakura não havia esperado por ele. Então por que deixara o álbum de recortes na cabana? Moegi folheou as páginas procurando descrições de M.U. Finalmente, encontrou a frase que o revelou: Oh, Meu Uzumaki, você levou um grande pedaço do meu coração quando foi embora.
Naquela noite, Moegi acomodou-se na cama para terminar de ler o álbum de recortes. Virou as páginas até chegar ao lugar onde havia parado e retomou a leitura com impaciência.
Na cabana, Naruto estava sentado na sala de estar pensando na mansão vazia com o coração triste. Não podia ficar em Konoha para sempre. Tinha feito o que se propusera: restaurar os jardins como Sakura gostaria. Ele não tinha idéia de onde ela estava, e uma parte dele tinha medo de descobrir. Sakura partira sem uma palavra. Seguira com sua vida.
A morte de sua mãe é que o impelira a regressar a Konoha. Ele cuidara dela, mas, uma vez livre, fez o que havia esperado 18 anos para fazer: encontrar Sakura. Mas a vida não é um livro de histórias com um final feliz. Se ele esperava que ela estivesse esperando por ele na cabana, ficou decepcionado. De que adiantaria vasculhar a zona rural à procura dela? Esse capítulo estava encerrado.
♧
Moegi começou a chorar. O fim do álbum era mais triste do que ela poderia ter imaginado. Sakura tinha conservado a cabana como um santuário. Foi por isso que Moegi encontrara a mesa ainda posta para dois. Sakura permaneceu casada e continuou como antes, mas a cabana era um testemunho de seu amor por Naruto.
Moegi ficou surpresa de ler que Sakura tinha tido outro filho.
Shara é meu consolo e minha alegria. Ela seca minhas lágrimas e acaricia meu coração ferido com seu olhar suave e seu sorriso encantador. Eu pensava que uma parte de mim tivesse morrido no dia em que ele foi embora, mas me enganei. Ela estava crescendo dentro de mim tão intensa e bonita como ele. Shara é tudo para mim, e ela nem sequer sabe. Um dia contarei a ela. Deus, me dê coragem. Deus, me dê tempo...
Moegi estava atordoada. Releu o último parágrafo através das lágrimas e se deu conta de que Shara era filha de Naruto. A filha pela qual ele ansiara. A filha que ele não sabia que tinha.
♧
No dia seguinte, Moegi telefonou para Nakami e explicou os planos do fim de semana no Centro para fazer compras. Após Moegi fazer a reserva no Hotel Koniwa, começou a tentar descobrir por onde Sasuke e Sakura Uchiha haviam se mudado. Decidiu ir ao correio sob o pretexto de ter recebido uma encomenda para a Sra. Uchiha.
Ela entrou no correio, que ficava na loja do filho de uma amiga.
– Como vai, Toshio? – perguntou alegremente. – Gostaria de lhe pedir um favor. Recebi uma encomenda para a Sra. Uchiha. Ela não tem endereço para devolução, e não quero abri-la.
– Naturalmente. A senhora quer que eu remeta a ela?
– Na verdade, pensei que deveria telefonar para ela e perguntar-lhe se ver o que fiz nos jardins dela. Ela poderia aproveitar e pegar a encomenda.
– Entendo. Isso não é problema. Deixe-me dar uma olhada.
Ele se virou e procurou uma prateleira com arquivos antigos, todos cuidadosamente rotulados. Quando encontrou o arquivo certo, ele o abriu. O coração de Moegi palpitava de expectativa.
– Ela vive na China, num lugar chamado Wuhan. A senhora quer que eu anote?
– Sim, por favor.
– Também há um número de telefone.
Quando chegou em casa, Moegi foi direto para seu escritório. Ela fechou a porta, sentou-se á escrivaninha e discou o número. O telefone tocou por algum tempo até uma voz feminina atender.
– Alô?
Miranda se arriscou.
– Alô, estou falando com a Sra. Uchiha?
Houve uma longa pausa. Moegi baixou os olhos para o pedaço de papel e se perguntou se havia discado o número errado.
– Quem está falando?
– Meu nome é Moegi Yusui. Moro em Konoha Gāden.
– Infelizmente, minha mãe morreu há um ano.
– Sakura Uchiha está morta? – perguntou Moegi, chocada.
– Sim.
– E o Sr. Uchiha?
– Meu pai está progredindo um pouco, obrigada.
– Estou falando com Sarada?
– Não, sou a irmã dela, Shara.
A boca de Moegi ficou seca.
– Sinto muito pela perda de sua mãe, Shara. Ouvi tanto sobre ela. Era muito popular em Konoha. Quando nos mudamos para cá, as pessoas só falavam sobre seus incríveis jardins.
– Eram a paixão dela. Foi muito difícil para ela deixá-los.
– Me perdoe perguntar, mas por que ela foi embora?
– Papai teve um AVC e não conseguia mais subir e descer escadas. Ela não teve escolha. Acho que isso partiu o coração dela.
– Tenho certeza de que sim. Quando nos mudamos para cá, os jardins estavam arruinados. Eles precisavam de muito trabalho. Bem, eu os restaurei. Achei que era meu dever restaurá-los, por sua mãe.
– É muita gentileza de sua parte. Ela teria adorado isso.
– Não fiz isso sozinha. Recrutei a ajuda de um residente maravilhoso de Uzushiogakure chamado Naruto Uzumaki. – Conforme Moegi esperava, houve uma longa pausa. – Ele parecia saber o que eu queria. Seja como for, se você puder, adoraria que visse os jardins. Você pode vir e se hospedar aqui. Afinal, era sua casa.
– Foi minha casa por quinze anos – disse ela. – Eu a adorava.
– Por favor, venha.
– Eu não sei... – Moegi ouviu uma voz ao fundo. – É meu pai. Direi a ele que você telefonou. Todos nós amávamos Konoha.
♧
Na cabana, Moegi encontrou Naruto na cozinha.
– Isso está com ótimo aspecto – disse ela, observando-o preparar um prato à base de frango com tomates.
– Da próxima vez, vou prepará-lo para dois.
Ele a olhou com curiosidade, e seus olhos pousaram no álbum de recortes.
– Precisamos conversar – disse ela. – Posso me sentar?
– É claro.
Ele observou enquanto ela punha o álbum em cima da mesa.
– O que é isto? – perguntou ele. Mas sabia, reconhecera a letra.
– Acho que isso se destinava a você. Estava aqui quando compramos a casa. Esta cabana foi conservada como um santuário. Esta mesa ainda estava posta para dois, como se as pessoas que tomavam chá tivessem ido embora subitamente. Confesso que li o álbum. Ele partiu meu coração. Agora sei que era você quem Sakura Uchiha amava mas não podia ter. Você é o amor impossível dela, a quem ela chamava de M.U.
– Meu Uzumaki – disse ele com a voz inaudível.
Naruto pegou o álbum e correu a mão pela capa.
Ela não suportou olhar. Virou-se para a janela. Estava escurecendo.
– Telefonei para a casa dela, mas ela não estava lá. – Lutou contra o nó na garganta. – Ela morreu no ano passado. – As palavras saíram num sussurro. Ela o observou afundar numa cadeira. Moegi se levantou. Precisava sair da cabana. Não era certo ela estar ali. – Sinto muito. Sinto muito por ser eu a lhe contar.
Com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela saiu apressadamente pela porta, fechando-a atrás de si.
Moegi ficou em pé na ponte de pedra, com o coração batendo forte no peito. Ela quisera contar-lhe sobre Shara. Mas ele leria o álbum de recortes e descobriria por si mesmo.
♧
Na manhã seguinte, Moegi acordou com um estranho nó no estômago. Ela olhou pela janela. O céu estava cinza. Vestiu jeans e suéter de algodão. As crianças estavam na cozinha servindo-se de cereais, alegremente fazendo planos para o dia.
– Voltarei num minuto – disse ela disparando pelo vestíbulo.
Moegi correu pelo cascalho e através do prado com flores silvestres. Estava começando a garoar. Para seu alívio, Naruto não fora embora, mas estava em pé na ponte, olhando para a água. Quando a viu, ele não sorriu, mas olhou para ela com olhos vermelhos exaustos.
– Você está bem? – perguntou ela, recuperando o fôlego.
– Eu li o álbum – disse ele.
– O álbum todo?
– Eu não dormi. – Ele sacudiu a cabeça e correu a mão pelos cabelos. – Tinha de terminar de lê-lo. Acho que sempre soube que ela estava morta. Por isso não a procurei. Estava com medo.
– O que você vai fazer?
– Regressar à Uzushio.
– E quanto a Shara? – perguntou ela suavemente.
– Não sei. – Ele pareceu confuso. – Sakura sempre pôs os filhos em primeiro lugar. Eu devo fazer o mesmo.
– Quer dizer que não vai entrar em contato com ela?
– Eu não posso. Talvez ela não saiba.
– Mas você é o pai dela. Você mesmo disse: uma parte sua e uma parte minha. – Pela primeira vez, desde que ela conhecera Naruto, ele pareceu inseguro.
De repente, ambos perceberam que havia alguém em pé na margem do rio. Ela se aproximou, de macacão de algodão azul-claro e camiseta branca, os cabelos longos e ondulados e róseos.
Naruto prendeu a respiração.
– Sakura – disse ele com arquejo. – Não pode ser.
A moça sorriu e acenou de maneira hesitante.
– Naruto – murmurou Moegi – , aquela é Shara.
Ela os alcançou, e seu sorriso se desfez em timidez.
– Naruto – disse ela. – Você não me conhece, mas...
– Eu a conheço. Eu reconheço sua mãe em você.
– E você mesmo em mim – disse ela com um riso embaraçado.
– Você tem a franqueza de sua mãe – observou ele, correndo os olhos pelo rosto dela, impaciente para assimilá-la toda.
– Precisei de um pouco de tempo para me acostumar à idéia. – Ela virou-se para Moegi. – Você deve ser Moegi.
– Sim. Você não sabe como é bom vê-la.
Elas se abraçaram como se fossem velhas amigas.
– Tentei telefonar para você no fim de semana, mas ninguém atendeu. Espero que não haja problema por ter vindo inesperadamente. – Ela olhou ao redor. – Nada mudou. O lugar está maravilhoso.
– Entre – disse Naruto. – Vai cair um aguaceiro.
– É melhor eu voltar para os meus filhos – disse Moegi.
– Você é bem-vinda se quiser nos fazer companhia – disse Naruto. Moegi notou que a cor tinha voltado ao rosto dele.
– Eu adoraria, mas vocês têm muita coisa para pôr em dia. Quando terminarem, talvez eu possa lhe mostrar os jardins.
– Sim, por favor – disse Shara. – Eu adoraria. Minha mãe ficaria muito feliz em vê-los restaurados. Eu quero lhe agradecer, Moegi.
– Por quê?
– Por ter tornado isso possível.
Moegi sentiu seu estado de ânimo melhorar.
– Eu tornei isso possível?
– É claro. Nunca pensei que encontraria Meu Uzumaki. Graças a você, eu o encontrei. – Ela olhou para Naruto e deu um largo sorriso. Era como se o conhecesse a vida inteira. – Não fique alarmado – disse ela, vendo-o perplexo. – Tive um ano para me acostumar.
Moegi caminhou até em casa. A sua volta, os jardins irradiavam magia, e dentro ela se sentia completa. Ela pertencia àquele lugar.
Shiro e Dan saíram aos tropeções para a varanda quando um táxi parou no cascalho. Moegi virou-se para ver seu marido saltando do veículo com uma mala. Moegi sorriu, mas teve de esperar sua vez, pois ele abriu os braços, e as crianças voaram para ele. Elas também pertenciam a este lugar, pensou ela contente. Finalmente.
♧
Dentro da cabana, Naruto ligou a chaleira. Os dois sentaram-se à mesa da cozinha como Naruto e Sakura tinham feito 19 anos antes. Dessa vez não para dizer adeus, mas para começar uma nova vida juntos.
– Tenho tanta coisa para lhe contar – disse Shara, os olhos uma mistura de verde com azul brilhando de emoção. – Não sei por onde começar.
– Conte-me sobre sua mãe. Como ela morreu?
– Deixe-me recuar um pouco mais, ou perderei o fio da meada. Meu querido pai, Sasuke, teve um AVC há quase quatro anos, e por algum tempo todos continuamos a morar aqui, apesar de sua lenta recuperação. Mamãe cuidava dele, mas a escada se tornou um grande problema, e todo mundo dizia que tínhamos de nos mudar. É claro que ela estava dividida. Ela amava este lugar, e agora sei que o motivo da determinação dela em aferrar-se a ele era você. Ela deve ter esperado que um dia você voltasse para buscá-la. Nós todos éramos adultos. Sarada vive no Centro de Konoha e é casada, com filhos. Itachi se casou com uma tailandesa e vive em Pattaya. Izuna é historiador. Ele não se casou.
– E você?
– Nunca saí do ninho. Sou uma jardineira. – Ela sorriu orgulhosa.
– Não estou surpreso – disse ele, sacudindo a cabeça diante do milagre que era ela. – Prossiga. – Estava ansioso por ouvir mais.
– Bem, ela permaneceu aqui muito além do que deveria. Finalmente, não lhe restou escolha. Descobriu um tumor no estômago, e constatou-se que era maligno. Nós nos mudamos para a China porque mamãe sempre adorou aquele lugar. Enquanto papai se recuperava, ela piorava. Tudo aconteceu rápido demais. Agora que li o álbum de recortes, acho que o tumor foi uma manifestação da dor que ela sofreu depois que você partiu. Sua dor era muito profunda, e ela a manteve em segredo todos esses anos. Jamais me contou, e eu era a mais próxima dela do que os outros, por ser a caçula. – Shara hesitou, depois acrescentou timidamente: – E por ser sua.
Eles olharam um para o outro enquanto a chuva batia nas vidraças.
– Quando ela morreu?
– Em maio do ano passado. Nós a enterramos num pequeno cemitério que tem vista para o mar. Ela me deixou o álbum de recortes.
– Então foi você quem pôs o álbum na cabana?
– Sim. Eu li do começo ao fim. Entendi por que ela jamais me contara sobre você. O que poderia ter resultado de bom nisso? Eu amo Sasuke como meu pai. Como tenho sorte por ter dois!
– Sasuke sabe?
– Pelo amor de Deus, não! E jamais saberá.
– Por que você veio hoje?
– Porque é o que mamãe teria desejado. Vocês dois ansiavam tanto por um filho, portanto era justo que você soubesse. Quando Moegi telefonou, eu soube que era minha chance.
– Por que ela não me informou que estava morrendo?
– Também pensei sobre isso. Acho que ela não queria que você a visse daquele jeito. Estava doente demais. Imagino que ela queria que você lembrasse dela como era.
– Mas ela sabia que eu a amava.
Os olhos de Shara encheram-se de lágrimas. Mais uma vez, ela pôde sentir o aroma de flores de laranjeira. Olhou para Naruto. Ele ergueu o queixo, também consciente dele.
– Sim – disse ela, num sussurro. – Você também consegue sentir o cheiro dela?
Naruto fechou os olhos. Muitas vezes havia ignorado o perfume dela por julgá-lo fantasia.
A cozinha encheu-se com a luz do sol. Naruto levantou-se.
– Venha – disse, pegando a mão da filha.
Shara o seguiu para fora. Lá, descrevendo uma curva deslumbrante acima deles, havia uma magnífico arco-íris.
– Ele é lindo – disse ela, maravilhada. – Mujigae.
– Mujigae – repetiu ele, sabendo que Sakura estava em algum lugar lá em cima, em meio a todas aquelas cores. Então ele riu, pois lá, entre o verde e o azul, estava a cor mais esplêndida de todas.
– Você está vendo o cor-de-rosa?
Ele apontou para a vibrante luz cor-de-rosa.
– Estou vendo! – disse ela, o rosto banhado em lágrimas.
– Sakura está lá. – Naruto apertou a mão da filha. – Sei que está.
🌸
Nota final:
Mujigae: significa arco-íris em coreano
Não sei se vocês perceberam, mas há um arco-íris no céu sob essa foto desse capítulo.
Escolhi essa foto porque, mesmo que pareça ser a Sakura, vendo de perto você vê o olho dela muito mais azulado que verde. O que, realmente, faz parecer uma mistura da Sakura com o Naruto.
Fim.

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