O jardineiro (fanfic releitura) - capítulo 14


Adeus, meu amor


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No fim de agosto, Naruto recebeu um telefonema da mãe. Era hora de voltar para casa.

– Seu pai quer que você assuma o vinhedo – disse ela. – Ele o quer em casa até o início de setembro. Insiste nisso.

Naruto foi tomado de pânico. Não conseguiria suportar o fim do caso deles. Uma rachadura gigantesca partia seu coração em dois.

Ele não conseguia se lembrar da última vez que havia chorado, mas pensar em Sakura o reduziu a soluços. Enterrou o rosto num travesseiro. Ele havia percorrido o arco-íris sabendo que no fim teria de pagar com seu próprio sangue. Apesar de toda a dor, estava certo de uma coisa: valera a pena – uma vida inteira de sofrimento por um verão de alegria.

Como que para refletir sua infelicidade, o céu estava cinza, e a chuva caía forte e implacavelmente no teto da cabana. Sakura fez sakurayu na pequena cozinha da cabana, tentando manter a sensação de normalidade enquanto seu mundo desabava. Ela pôs a mesa. Dois kobatis, um bolo num prato e uma jarra de leite.

Eles seguraram as mãos um do outro sobre a mesa, como prisioneiros através das grades. Sakura serviu chá e cortou duas fatias de bolo.

– É setembro. Tenho de voltar para Uzushio.

– Querido Naruto, sempre soubemos que o verão chegaria ao fim. – Os olhos dela encheram-se de lágrimas. – Amar você tem sido minha maior alegria e minha dor mais terrível. Você sempre estará no meu coração.

– Vou esperar por você, nae salang. Queria que pudesse ir comigo agora, mas você não é esse tipo de mulher, e eu a amo por isso. Estamos nos afastando sem ferir ninguém. Só a nós a mesmos.

Ela enxugou o rosto com o dorso da mão.

– Tudo ficará tão vazio depois que você for embora. Não haverá mais magia.

Ele olhou para ela.

– A magia está no fundo da terra, Sakura. Ela sempre estará lá porque nós a semeamos. Jamais se esqueça disso.

Fizeram amor uma última vez enquanto a chuva chocalhava contra as janelas.

– Um dia voltarei a esta cabana e a levarei – disse ele, beijando-a. – Eu a encontrarei aqui esperando por mim, e nada terá mudado. Os kobatis estarão sobre a mesa, a chaleira quente, e um bolo fresco, o seu melhor bolo, para me dar boas vindas ao lar. Este é o nosso lugar especial. Deixe-o como está. Como um santuário para nós, de modo que um dia, quando voltar, eu entre como se tivesse me ausentado apenas por uma hora. Eu a levarei para Uzushio, e nós semearemos nossa magia nos jardins de Kaze no Gāden e viveremos o resto de nossas vidas juntos.

– Que sonho lindo! – Ela suspirou, enterrando o rosto no pescoço dele.

– Se sonhamos com intensidade, os sonhos podem tornar-se reais.

– Criaremos um arco-íris duradouro – sussurrou ela.

Mais tarde ela ficou em pé à entrada e observou-o afastar-se. Era como ele queria, uma pequena bolsa de mão, como se estivesse saindo apenas por uma hora. Ficou ali observando-o até ele sumir.

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Nota final:

Kobatis: xícaras japonesas para chá.

Nae salang (내 사랑) - em coreano - significa: "meu amor".

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