Adeus, meu amor
No fim de agosto, Naruto recebeu um telefonema da mãe. Era hora de voltar para casa.
– Seu pai quer que você assuma o vinhedo – disse ela. – Ele o quer em casa até o início de setembro. Insiste nisso.
Naruto foi tomado de pânico. Não conseguiria suportar o fim do caso deles. Uma rachadura gigantesca partia seu coração em dois.
Ele não conseguia se lembrar da última vez que havia chorado, mas pensar em Sakura o reduziu a soluços. Enterrou o rosto num travesseiro. Ele havia percorrido o arco-íris sabendo que no fim teria de pagar com seu próprio sangue. Apesar de toda a dor, estava certo de uma coisa: valera a pena – uma vida inteira de sofrimento por um verão de alegria.
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Como que para refletir sua infelicidade, o céu estava cinza, e a chuva caía forte e implacavelmente no teto da cabana. Sakura fez sakurayu na pequena cozinha da cabana, tentando manter a sensação de normalidade enquanto seu mundo desabava. Ela pôs a mesa. Dois kobatis, um bolo num prato e uma jarra de leite.
Eles seguraram as mãos um do outro sobre a mesa, como prisioneiros através das grades. Sakura serviu chá e cortou duas fatias de bolo.
– É setembro. Tenho de voltar para Uzushio.
– Querido Naruto, sempre soubemos que o verão chegaria ao fim. – Os olhos dela encheram-se de lágrimas. – Amar você tem sido minha maior alegria e minha dor mais terrível. Você sempre estará no meu coração.
– Vou esperar por você, nae salang. Queria que pudesse ir comigo agora, mas você não é esse tipo de mulher, e eu a amo por isso. Estamos nos afastando sem ferir ninguém. Só a nós a mesmos.
Ela enxugou o rosto com o dorso da mão.
– Tudo ficará tão vazio depois que você for embora. Não haverá mais magia.
Ele olhou para ela.
– A magia está no fundo da terra, Sakura. Ela sempre estará lá porque nós a semeamos. Jamais se esqueça disso.
Fizeram amor uma última vez enquanto a chuva chocalhava contra as janelas.
– Um dia voltarei a esta cabana e a levarei – disse ele, beijando-a. – Eu a encontrarei aqui esperando por mim, e nada terá mudado. Os kobatis estarão sobre a mesa, a chaleira quente, e um bolo fresco, o seu melhor bolo, para me dar boas vindas ao lar. Este é o nosso lugar especial. Deixe-o como está. Como um santuário para nós, de modo que um dia, quando voltar, eu entre como se tivesse me ausentado apenas por uma hora. Eu a levarei para Uzushio, e nós semearemos nossa magia nos jardins de Kaze no Gāden e viveremos o resto de nossas vidas juntos.
– Que sonho lindo! – Ela suspirou, enterrando o rosto no pescoço dele.
– Se sonhamos com intensidade, os sonhos podem tornar-se reais.
– Criaremos um arco-íris duradouro – sussurrou ela.
Mais tarde ela ficou em pé à entrada e observou-o afastar-se. Era como ele queria, uma pequena bolsa de mão, como se estivesse saindo apenas por uma hora. Ficou ali observando-o até ele sumir.
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Nota final:
Kobatis: xícaras japonesas para chá.
Nae salang (내 사랑) - em coreano - significa: "meu amor".
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