De volta para casa... e uma grande novidade
Sim! Kushina podia vê-lo! Era um avião pequeno, lá longe sobre as águas, mas que vinha na direção deles. O ronco do motor ainda era fraco, porém, estava ganhando força.
Com todo o cuidado, ela colocou a cabeça de Minato sobre o colete e saiu em disparada para o acampamento.
Uma montanha de gravetos a aguardava no local em que Minato a deixara. Ela pegou alguns e espetou-os na brasa. Sua mente a instruía como em uma canção: fique calma, vá devagar, faça certo, faça a diferença...
Os gravetos acenderam. No céu, o avião parecia estar se aproximando, o som era mais alto e profundo…
Kushina se forçou a deixá-los na brasa por mais alguns segundos, para ter certeza de que não se apagariam antes de chegarem à pira. Finalmente, rezando para que permanecessem acesos, tirou-os do fogo.
O avião roncava cada vez mais alto. Kushina correu pela praia carregando os gravetos em chamas, tentando protegê-los do vento com uma das mãos, sem muito sucesso. As chamas não duraram, mas ainda havia brasa.
Ela gritava, balançava os braços:
– Aqui! Socorro! Aqui embaixo! – Pôs o apito na boca e soprou por tudo o que era mais sagrado.
O avião pareceu mergulhar na direção dela. E então subiu novamente, sobrevoando as árvores e desaparecendo no horizonte.
– Não! – gritava ela. – Não, volte aqui imediatamente! Volte agora!
De repente, a brasa na ponta dos gravetos virou chama e a pira acendeu. Kushina observou-a de onde estava, via o fogo alto, a fumaça atingindo o azul do céu. O som do avião parecia vir de todos os lados, como se voasse em círculos.
Contudo, a esperança de Kushina foi em vão, pois o barulho logo desapareceu por completo.
Havia falhado, não fora rápida o bastante, não estivera pronta. Kushina olhou para Minato, ainda imóvel na areia, e desejou que fosse ela ali, doente e indefesa, e que ele estivesse parado junto à pira. Saudável, de pé e com a certeza do que fazer.
A desesperança era uma força viva dentro de Kushina. Lágrimas escorriam por seu rosto.
Então, ouviu uma voz interior que parecia com a de Minato.
– Não.
Era a voz dele, mas fora Kushina quem falara.
Ela não tinha tempo para isso. Não poderia entregar-se à autopiedade. Era ela quem estava de pé e no comando. Não se renderia ao desespero.
A pira queimava, a fumaça subia escura e espessa. Com certeza o piloto veria e faria o retorno.
E no momento em que tentava se convencer de que isso realmente aconteceria, Minato ouviu o ronco do motor se reaproximando. Estava voltando!
E então ela viu, flutuando naquele mar imenso, uma embarcação. Um barco de resgate que avançava com velocidade em direção à ilha.
O avião mergulhou, subiu, deu uma volta e retornou.
Era o milagre que estivera esperando! Seriam resgatados! Ficariam a salvo!
Kushina correu até Minato, que ainda estava inconsciente, pôs a cabeça dele no colo e sussurrou:
– Ah, Minato. Você vai ficar bem agora, eu prometo. Tudo vai dar certo. A ajuda chegou…
°
Seis meses mais tarde…
O estiloso gato cinza a seguia pelo corredor enquanto ela olhava as crianças.
Kushina abriu a porta do quarto de Naruto, caminhou na ponta dos pés e ajeitou a coberta com cuidado para não acordá-lo. Depois, foi ao quarto de Menma, e repetiu os movimentos. Ela sorriu quando sua boca abriu em um imenso bocejo.
Nuriko a esperava na porta do quarto e acompanhou-a até o escritório, no andar de baixo.
Minato estava sentado diante do computador, imerso em imagens de algum projeto. Kushina apenas sorriu e saiu silenciosamente pela porta. Porém, ele deve ter escutado alguma coisa, pois virou e esticou a mão, chamando-a. Kushina foi até ele.
– Como vai o bebê da ilha? – Minato passou a mão na barriga arredondada da esposa.
– O bebê da ilha está ótimo.
Ela se curvou e o beijou, saboreando a doçura de seus lábios. Pensou no quanto o amava e que este era o melhor tipo de amor: eterno.
Um amor que resistiu.
Fim.

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