Um novo amiguinho
Kushina se abaixou e pegou o gato que atendeu ao seu apito.
– E então? O que você sabe? O que está fazendo por aqui? – O gato ronronava e roçava a cabeça nas mãos dela, implorando por carinho. Kushina acatou ao pedido.
– Domesticado – disse Minato.
Kushina acariciou a criatura peluda na parte de baixo do queixinho pontudo.
– Isso é bom, né? Quer dizer que, provavelmente, há gente morando em algum lugar por aqui. Ou ao menos uma fonte de água, certo?
Minato se aproximou do gato.
– Uma fonte de água é bastante provável. Mas o animal pode ter sido abandonado aqui por um barco ou algo assim. Ele parece desnutrido.
Ela sabia que Minato estava certo, as costelas do pobrezinho eram aparentes.
– Coloque-o no chão. Vamos ver se ele nos leva a algum lugar útil. – sugeriu ele.
Kushina fez o que o marido pediu e o gato ficou sentado aos seus pés, olhando-a esperançoso.
– Muito obrigado, garoto – resmungou Minato. E olhou novamente para Kushina. – Tem certeza de que quer dar uma exploradinha por aí?
Kushina concordou com convicção.
– Está bem, vamos lá. Não temos muito equipamento, então podemos levar tudo conosco.
Já estava ficando quente, por isso, Kushina amarrou a jaqueta na cintura. Vestiram novamente os coletes salva-vidas, pegaram os espelhos e Minato pendurou seu apito no pescoço.
Andaram sob as árvores por algo que parecia uma trilha, se distanciando cada vez mais da praia. Kushina não tinha a mínima ideia de quem ou o que teria aberto aquele caminho. E estava sedenta e cansada demais para gastar energia perguntando ao marido habilidoso como ele decidiu qual direção tomariam. O gato magrelo os acompanhava, às vezes passando à frente deles, outras tomando a retaguarda e ou se embrenhando pelas moitas à esquerda ou à direita.
Cada vez que chegavam a um entroncamento na trilha, Minato pegava pedras e fazia uma seta no chão apontando para o local de onde vieram. Disse que era mais ou menos o Leste, já que o sol nascera naquela direção, e que as setas serviam para guiá-los se quisessem retornar no fim da tarde para construir uma fogueira de sinalização. Mas, no momento, o objetivo principal era achar água.
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Não estavam caminhando por muito tempo, talvez dez ou 15 minutos, quando ouviram o som de um motor vindo do Leste.
Um avião. O coração de Kushina saltou com contentamento e esperança. Eles pegaram os espelhos, correram para uma clareira e balançaram os objetos refletores, usando os raios do sol para fazerem sinais gêmeos.
Mas não adiantou. O som do motor sumiu antes mesmo de conseguirem ver a aeronave.
A boca de Kushina ficou ainda mais seca de desolação ao perceber que o som se esvanecia no horizonte. Mas não demonstraria isso! Fechou os olhos, respirou fundo e manteve a coluna ereta.
Minato balançou a cabeça.
– O quê? – perguntou ela.
– Talvez devêssemos ter ficado perto da praia. Temos mais chances de sermos vistos a céu aberto. E eu devia ter perdido um tempo procurando pedras grandes para escrever “socorro” na areia.
Kushina viu as sombras nos olhar dele. A responsabilidade de assumir a liderança era imensa, tomar as decisões sobre como agir e de que maneira. Uma escolha equivocada poderia lhes custar a vida.
Ele precisava de reafirmação.
– Vamos ficar a céu aberto assim que encontrarmos água.
– Você parece estar muito certa disso. – disse Minato em tom irônico.
– E estou. Confie em mim, sei o que estou fazendo.
Os dois riram. E então Minato ergueu uma das mãos.
– Escute.
Permaneceram em silêncio e com ouvidos atentos. O gato estava sentado entre eles, olhando para um e para o outro.
– Pássaros – sussurrou ela. – Estou ouvindo pássaros. E sussurros na relva.
– Espere aqui. Eu já volto. – Ele se virou e sumiu mata adentro.
Minato ficou ali parada, tentando não pensar em cobras enormes ou que tipo de inseto feroz estaria se escondendo no emaranhado de raízes, só esperando para mergulhar os ferrões medonhos ou as garras malignas nos pobres pés desnudos de seu marido.
Nem dois minutos se passaram e Kushina ouviu Minato gritar.
– Minato, venha aqui!
Ela se entranhou na mata, contornando uma grande formação rochosa e encontrou o marido junto a um riacho que desaguava em uma piscininha límpida.
Minato estava ajoelhado, bebendo a água cristalina com as mãos. Ele a saboreava e gemia.
– Fresca – disse ele, os olhos brilhando. – Água fresca, Kushina. Venha. Beba.
Kushina não precisou ser chamada duas vezes. Saiu em disparada até a beira da piscina, atirou-se nela e bebeu aquela água maravilhosa.
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