Em busca da sobrevivência
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Começaram a nadar em direção ao navio. O mar até parecia estar mais calmo ou talvez estivesse delirando, influenciado pelo pensamento positivo. Ainda assim, Minato podia jurar que a chuva estava diminuindo.
Mas Kushina estava abalada, engolira muita água e, certamente, não era tão resistente quanto ele. Por isso, Minato teve de diminuir um pouco o ritmo. Não ousaria ficar muito à frente para não correr o risco de perdê-la. As ondas furiosas poderiam carregá-la. Rafe teria que recuar para buscá-la e talvez fosse impossível alcançá-la novamente.
No início, Kushina deu tudo de si e nadou junto a ele. Mas logo começou a fraquejar e Minato teve de ajustar a velocidade para acompanhá-la.
Em pouco tempo, Kushina reduziu o ritmo até ficar parada – o mais imóvel que as ondas permitiam. Minato se voltou para a esposa soube exatamente o que se passava pela cabeça dela.
– Não –, gritou ele. – Vamos em frente!
Kushina sacudiu a cabeça.
– Vá! Por favor! A culpa é minha! Você vai...
Minato olhou novamente para o navio. Parecia mais distante do que nunca. Longe demais, e ele sabia disso. As correntes marítimas definitivamente estavam trabalhando contra eles.
A realidade o atingiu como um raio. Não conseguiriam alcançar o navio, pelo menos, não juntos.
E, de acordo com Minato, juntos era a única opção.
Então, quais chances eles tinham?
Minato afastou da mente as probabilidades e focou no ponto principal: sobreviver.
Naquele momento, tinham de atravessar o restante da tempestade, de alguma forma.
Só precisavam sobreviver por uma hora, um minuto, uma respiração por vez, até que as águas acalmassem. Boiar e continuar respirando: este era o objetivo.
Se conseguissem resistir até o sol nascer, teriam uma pequena chance de chegar à terra firme ou de serem resgatados por algum barco. O Konogatô estava agendado para ancorar na Conception Island pela manhã. Então, era provável que ainda estivessem nas Bahamas, já que o navio não deve ter saído muito da rota em função da tempestade.
O que Minato tinha lido quando estava tentando despertar interesse nele pela viagem? Que havia cerca de 700 ilhas nas Bahamas, isso para não mencionar mais de duas mil ilhotas e arrecifes.
Certamente havia um pedaço de terra firme, não muito longe, esperando por eles.
Minato se aproximou de sua mulher que o empurrou gritando:
– Não! Vá! – E sucumbiu a um ataque de tosse.
Minato a segurou pelos ombros. Gritou o seu nome. Kushina parou de tossir e desistiu de gritar, mas continuou de cara fechada. Rebelde.
– Eu também não consigo –, disse ele em alto e bom som. Kushina abriu a boca para retrucar, mas Minato a impediu. – Ficaremos juntos, ajudaremos um ao outro a boiar. É o único jeito.
Kushina o encarou e Minato pôde ver a culpa e rancor em seus olhos.
– Kushina! Pare com isso! Nós sobreviveremos. Juntos, entendeu?
Ela choramingou um pouco, seu lábio inferior ligeiramente trêmulo. E então seu rosto franziu.
– Menma. Naruto… – murmurou tão baixinho que Minato só soube o que ela dizia porque pensava o mesmo.
– Eles estão seguros, – disse ele com firmeza.
Haviam deixado as crianças com o irmão de Kushina, Makoto. Ele tinha uma esposa maravilhosa chamada Tomoyo, duas filhas e um bebê. Makoto e Tomoyo se amavam e construíram um lar feliz. Sem dúvidas não hesitariam em acolher uma sobrinha e um sobrinho, se precisasse.
– As crianças ficarão bem. Makoto cuidará delas. – Foi tudo o que Minato conseguiu dizer.
Kushina fechou os olhos.
– Tudo bem.
– Boa menina.
Minato a puxou de maneira que a parte de trás do colete dela tocasse a frente do dele.
– Suba as pernas. Descanse. – sussurrou no ouvido da esposa.
O pai de Minato era proprietário de uma agência de canoagem em Hokkaido. Ken Namikaze não era um exemplo paterno, mas Minato ainda lembrava-se das lições de sobrevivência que o velho tinha ensinado.
As palavras do pai estavam na ponta da língua.
"Mesmo em águas mornas é possível ter hipotermia. O corpo perde calor mais rapidamente na água do que em terra firme. E há muita perda de calor ao se movimentar."
Kushina não precisou de mais argumentos. Contraiu as pernas junto ao peito e Minato colocou as próprias pernas sob as dela.
Boiaram abraçados, subindo e descendo conforme as ondas desejavam. Então, ele olhou para trás e viu que o Konogatô tinha sumido. Havia navegado para além dos limites do estranho e ondulado mundo de águas.
O tempo passou, as ondas se acalmaram e a tempestade parou. Quando Minato tirou a sua mão da água viu que estava inchada, a pele grossa e enrugada. Minato deixara seu relógio sobre a mesinha de café da cabine, portanto, não tinha como saber quanto tempo estavam flutuavam. Que horas seriam?
Carregava no bolso o canivete suíço dado por Ken anos atrás. Sempre o levava consigo. Se eles alcançassem algum pedacinho de terra firme, o canivete seria mais útil do que um relógio.
O vento se transformou de um demônio uivante em uma brisa doce e tropical. O infinito mar noturno se acalmou. As nuvens sumiram lentamente e as estrelas apareceram, mais brilhantes do que as da Konoha, onde Minato e Kushina viviam. Ele conseguiu localizar a Estrela Polar, traçando, a partir dela, a linha que indicava o Norte.
Estavam à deriva na direção do Oeste. Se isso era bom, não saberia dizer.
Precisavam que alguma ilha surgisse logo no horizonte. Ou um barco. Talvez a guarda costeira. Esta região era cheia de barcos da guarda costeira em busca de traficantes de drogas e coisas do gênero, não era?
Uma ou duas vezes, algo esbarrara nas pernas de Minato e sumira. Tubarão? Ou outra coisa igualmente mortal? Se fosse esse o caso, em ambas as vezes, a morte havia passado por eles.
Ele sentiu Kushina suspirar profundamente. A cabeça dela estava recostada no ombro dele, mas o corpo que estava encolhido afastou-se um pouco do de Minato, como se o mar fosse sua cama, e o ombro do marido, o travesseiro. O cabelo dela se movia, flutuando na superfície, deslizando pelo pescoço dele.
– Olhe ali – disse ela. – Uma gaivota…
Observaram o animal bater suas asas no céu. Parecia estar avançando na direção de onde tinham vindo.
– Uma vez eu li que se você avistar uma gaivota sobre o oceano, é porque está perto da terra firme. – disse Kushina.
– Isso é um mito. Pássaros podem voar enormes distâncias. E o fazem. – Ele não queria desapontá-la.
– Um mito, é? – sussurrou ela.
Minato fez um som afirmativo.
– Minato… Eu te amo. E sinto muito…
Ele a beijou nas têmporas salgadas.
– Não é por aí. Não se culpe. Isso só vai te cansar e não nos levará a lugar algum.
– Você não deveria ter vindo atrás de mim.
Ele deu uma risadinha.
– Tarde demais para lamentações, querida.
– Você sabe o que eles disseram durante as instruções de segurança. Se alguém cair no mar…
– …jogue uma boia e informe a torre de comando. Mas, quando eu chegasse à torre, você já teria desaparecido há muito tempo.
Kushina não disse nada, mas Minato sabia exatamente o que ela estava pensando. Certamente se culpava.
– Pare! – Avisou, sabendo que estava certo. – O céu estava mesmo mais claro no Leste. – Ele passou a mão no braço dela. – O sol está nascendo… ou nascerá em breve.
Kushina fez um som pareceu uma risada… ou talvez fosse apenas um soluço.
– Não parecia tão terrível, a tempestade, quero dizer, ao menos quando saí no convés. Fui até o deque. E piorou repentinamente.
– Aconteceu, Kushina. Nós lidamos com o que temos.
– Sempre tão pragmático…
– Está dizendo que não sou romântico?
– Eu fui tola.
Ele sorriu.
– Mas é a minha tola...
– Minato? – Ela deu um salto.
– O quê?
– Veja. – Ela apontou para o Oeste. – Você está vendo?
Sim, ele estava. Era terra.
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