Casamento em tormenta (fanfic releitura) - capítulo 2

 

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Correndo perigo


Cambaleante, abatido pelo vento atroz e completamente encharcado, Minato lutou com todas as forças até chegar ao local onde Kushina havia desaparecido.

Ele segurou firme e olhou por sobre as ondas.

Lá estava ela! Conseguiu avistar uma mancha rosa, era a parte de trás da jaqueta dela.

A parte de trás! Isso não era bom sinal. A onda deve tê-la abatido. Minato não podia ver o rosto de Kushina, que não fazia esforço para manter a cabeça fora d'água.

Desesperado, Minato olhou em volta. Ninguém à vista. O capitão e a tripulação haviam fechado as saídas. Todos na embarcação enfrentavam a tempestade abrigados confortalvemente dentro do navio. Todos menos Minato e sua esposa… que estava se afogando...

A ponte de comando estava dois andares acima. De lá, era possível avistar um homem e uma mulher na proa, mas não no meio do navio, a menos que estivessem à procura de alguém. O ângulo não era favorável. Os tripulantes não viram o que acontecera. E Minato não teria tempo de fazê-los ver. A jaqueta rosa continuava se distanciando da embarcação, as ondas a jogando-a cada vez mais para longe.

Segurando firme ao corrimão, Minato deu um jeito de alcançar a boia mais próxima. Atirou-a no mar e o objeto flutuou como um biscoito enorme amarrado a uma corda, parando a poucos metros de distância da jaqueta rosa de Kushina.

Coletes salva-vidas! Essas palavras emergiram em sua mente. Lembrara dos armários cheios deles espalhados por todo o navio.

Minato arrastou-se agarrado ao corrimão até chegar a um os armários. Puxou a trava, pegou dois coletes e vestiu um com rapidez. Virou-se, tirando a água dos olhos e pensou: bote salva-vidas...

Mas a jaqueta rosa movia-se para cima e para baixo, carregada pelas ondas constantes. Não havia tempo de buscar um bote e seria difícil lançá-lo usando apenas uma das mãos. Então, por precaução, atirou diversos coletes salva-vidas ao mar, caso perdesse o que estava segurando.

Minato se deu mais alguns minutos para tirar os sapatos. Seriam apenas mais um peso.

Então Minato escalou o corrimão e jogou-se nas altas e impetuosas ondas.

Ele atingiu a água – não estavam frias, graças a Deus! – e veio rapidamente à tona, o colete desempenhando o seu papel. Mas as ondas batiam nele com força, e interferiam na sua visão. Pareceu ter levado um século para localizar a jaqueta rosa e a bóia, que estavam muito mais afastadas do que antes.

Minato estava ainda mais longe de Kushina. Se quisesse chegar até ela, era melhor se apressar. Nadou na direção da esposa num ritmo intenso, braçada após braçada, pensando que já fazia muito tempo desde os verões que passara com seu pai em Kyoto, na época em que se empenhara em nadar forte e rapidamente.

Logo teve de abdicar do segundo colete salva-vidas. Precisava dos dois braços livres para ter qualquer chance de atravessar as ondas e chegar até Kushina.

Minato nadou. Nadou por tudo o que era mais precioso em sua vida. Embora soubesse que a corrente estava a seu favor, não era o que parecia. Para ele, era como se as ondas estivessem vivas, arrebatando-o, empurrando-o, tentando evitar que chegasse até Kushina. Ele engoliu água salgada, engasgou-se, cuspiu. E, mesmo assim, não parou de nadar.

As ondas continuavam a combatê-lo. Mas ele lutou, apenas diminuindo o ritmo de tempos em tempos para limpar os olhos e ter certeza de que a jaqueta rosa estava em seu campo de visão.

Levou tempo demais até as ondas, finalmente, lhe darem um impulso, erguendo-o e derrubando-o perto de seu destino flutuante.

Minato nadou com força, cada braçada uma oração, até que tocou a jaqueta rosa. Agarrou-a… tinha Kushina em suas mãos.

Ela não se movia… não por vontade própria. Boiava completamente entregue às ondas.

Minato pegou algo e sentiu fios grudentos, molhados. O cabelo de Kushina. Enrolou os dedos nele e puxou na esperança de ouvir um gemido ou um grito revoltado por ele a estar machucando.

Mas Kushina não disse nada… E as ondas continuavam a arrebatá-los. Minato a puxou pelo cabelo – que, quando seco, tinha mechas bem vermelhas como o fogo que ele adorava alisar...

Minato fechou os olhos e um turbilhão violento de emoções tomou conta dele. Deu um grito ensurdecedor quando o rosto de Kushina e das crianças, Naruto e Menma, surgiam, um a um, nítidos em sua mente.

Não.

Ela ainda não havia partido. Tinha Kushina em seus braços e não a deixaria ir! Ainda não estavam prontos para dizer adeus. Iriam superar esse momento e voltariam para casa. Minato segurou-a com força e virou-a de maneira que o seu rosto ficasse para cima.

E ela tossiu.

Um milagre! Ela tossiu!

– Está tudo bem, está tudo bem, querida... – Apoiou-a nos braços com a face para ele, mantendo a cabeça de Kushina o mais ereta possível para proteger a boca e o nariz dos respingos das ondas.

Kushina tossiu mais forte. Minato podia sentir o peito dela se contraindo em espasmos. Ela vomitou. Nunca em toda a vida ele ficou tão contente em ver alguém vomitar.

– Minato... –  balbuciou ela. – Minato?

– Sim, querida, sou eu. Respire, ok?

Ela grunhiu, mas definitivamente estava respirando, inspirando e expirando. Estava bem, por hora.

Em sua visão periférica, Minato viu uma mancha alaranjada. Era um dos coletes que boiava na direção deles. Só precisava esticar o braço para pegá-lo, o que fez rapidamente.

– Vista!

– Ugh. – Ela tossiu outra vez, forte e profundamente.

– Colete salva-vidas. Vista – Ajudou-a, colocando os braços adormecidos nas mangas e, finalmente, envolvendo-a com a proteção.

Minato não percebeu o esforço que era necessário para mantê-la virada para cima até vestir o colete em Kushina e, enfim, conseguir relaxar. Uma sensação de alívio o invadiu.
O que era ridículo já que a tempestade ainda os atingia e as ondas os arrebatavam sem piedade.

Mas estavam juntos. E vivos.

E agora tinham de chegar até a boia. Precisavam alcançá-la e aguentar firme. A tempestade iria terminar em algum momento. Os passageiros viriam até o convés. Eles seriam encontrados e puxados de volta.

– Kushina, você está bem?

Ela estava pálida, mas conseguiu acenar com a cabeça.

– Nós temos que nadar de volta para o navio. Eu joguei uma boia salva-vidas…

Kushina entendeu e acenou com a cabeça. Porém, seu olhar mudou. Parecia estar olhando através dele, na direção do Konogatô. E algo se formou em sua expressão facial. Um calafrio percorreu o corpo de Minato.

Era puro desespero.

Ele se virou, procurando pelo navio. Parecia estar a um metro e meio de distância.

– Kushina – gritou ao vento e em meio às ondas imensas. – Nós temos de tentar.

Kushina fez sinal com a cabeça e seus lábios se moveram. Minato leu as palavras ao invés de ouvi-las.

“Eu sei.”


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