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𝓣𝓮 𝓪𝓶𝓸 𝓽𝓪𝓷𝓽𝓸!
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O motorista de Minato foi ao encontro deles no ferroviária de Uzuki. Segurava um cartaz com os dizeres: SASUKE UCHIHA, BEM VINDO! Ele não falava japonês, e Sakura estava empolgada por ter de falar coreano. Sasuke ouvia com orgulho enquanto ela conversava com ele com facilidade. Jamais a vira tão bonita. Estava usando sandálias de veludo brilhante cor-de-rosa, um vestido preto antiquado, estampado com florezinhas cor-de-rosa, e cardigã curto verde-oliva.
Sakura estava tensa como as cordas de um violino. Por fora fingia entusiasmo com as férias, mas por dentro estava muito nervosa.
Uzushio estava no auge da primavera, com todas as árvores repletas de folhas. Rosas cresciam em abundância. Por fim, o carro subiu uma entrada de veículos longa e curva sob o dossel das árvores altas de uma antiga aléia. No fim, erguia-se a casa, banhada pela luz do sol. Era um edifício neoclássico majestoso. Construído com pedras cor de areia clara, simétrico, com janelas altas emolduradas por venezianas vermelhas e sacadas pretas, a beleza da casa encheu Sakura de admiração.
O carro parou no cascalho do lado de fora da casa, e dois *akitas saíram em disparada pela porta aberta, com seus latidos agudos ecoando pelas paredes da mansão. Sakura desceu do carro com o coração batendo de expectativa. Ela ergueu os olhos e viu uma mulher elegante de pele alva em pé à porta.
– Bem vindos – disse ela, caminhando na direção de Sakura. Seus cabelos vermelhos estavam presos num coque, revelando uma bela estrutura óssea e olhos azuis. – Sou Kushina Uzumaki. Espero que tenham feito uma boa viagem.
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– Esplêndida – disse Sasuke que, andando a passos largos até ela, estendeu-lhe a mão e inclinou-se para beijá-la. Kushina era alta e esguia e trajava uma calça branca larga presa na cintura com um cinto de couro marrom. Usava uma camisa listrada masculina sob um colete creme forrado com um tecido de algodão com listras pretas. Sakura julgou-a a mulher mais chique que já vira. – Esta é minha esposa, Sakura – acrescentou Sasuke, apresentando-a.
– Ouvi falar tanto a seu respeito – disse Kushina calorosamente. – Naruto gosta muito de você. – Sakura apertou a mão dela e se perguntou quanto ele contara a ela. – Por favor, entrem.
Cruzaram um vestíbulo dominado por uma majestosa escada de pedra e uma lareira gigantesca cheia de achas de lenha metodicamente cortadas e empilhadas. No consolo havia antigas garrafas de vinho.
Kushina levou-os para a sala de visitas, um magnífico salão vermelho de pé direito alto e longas cortinas emoldurando portas envidraçadas que se abriam para o amplo terraço, cercado por uma balaustrada de pedra.
Uma criada entrou na sala, e Kushina pediu-lhe que levasse uma bandeja com bebidas ao terraço.
– Jisoo, onde está meu filho?
– Ele saiu, *assi – respondeu a criada.
– Bem, por favor, encontre meu marido e diga-lhe que nossos hóspedes chegaram – pediu Kushina com um suspiro.
– Sim, *assi – disse Jisoo.
– Venham, vamos nos sentar no terraço. Está quente lá ao sol. Jisoo nos trará um vinho. – Ela escancarou as portas envidraçadas e saiu. Os cães seguiram-na. Abaixo, os jardins estendiam-se até um velho muro coberto de rosas trepadeiras e buganvílias cor-de-rosa, onde árvores antigas protegiam o terreno. Além, a silhueta do teto abobado de um *pombal se destacava contra o céu.
– Ah, meus amigos, vocês chegaram! – exclamou Minato, aproximando-se pela lateral da casa. A voz dele era alta e ressoante.
Ele deu um caloroso abraço em Sasuke e beijou a mão de Sakura, olhos azuis-claros avaliando-a sob longos cabelos loiros. Sakura lembrou-se de Naruto ter-lhe dito que ele tinha uma amante em Uzuni. Isso não a surpreendeu. Ele era diabolicamente bonito.
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– Onde está o vinho? Jisoo! – chamou ele.
Jisoo apareceu quase imediatamente, movendo-se com dificuldade sob o peso de uma grande bandeja com garrafas, taças e uma jarra de água gelada. Minato não fez nenhum gesto para ajudá-la.
– Ótimo! Corríamos o risco de morrer de sede. – Ele sentou-se e puxou um charuto. – Então, Sasuke, como está o livro?
Kushina virou-se para Sakura.
– Gostaria de ver o *pombal? Naruto me disse que há um no seu jardim.
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– Adoraria. Aquilo lá é a cúpula?
– Sim.
– É muito mais magnífico que o nosso.
– Naruto disse que vocês têm uma propriedade belíssima.
– Eu gostaria que ele estivesse lá agora. Tudo está ficando florido...
– Venha, preciso falar com você, Sakura.
Elas deixaram os homens conversarem no terraço, e Sakura seguiu Kushina pelos degraus até o jardim. Mais uma vez ela sentiu o sangue acelerar nas veias. Será que Naruto tinha dito a mãe que estava apaixonado por ela? Será que ela ia adverti-la para se manter afastada dele?
– Posso lhe falar com franqueza? – perguntou Kushina enquanto elas caminhavam pelo gramado em direção a um portão de ferro embutido no muro.
– É claro – respondeu Sakura.
– É sobre o Naruto. – Kushina olhou para ela. – Ele é o meu único filho, você sabe, e o amo profundamente. O problema é que o pai dele é insensível às necessidades dele. Naruto é um pintor talentoso, mas Minato não gosta que ele pinte. Minato quer que ele ajude a administrar o vinhedo, mas Naruto nunca se interessou... até agora.
– Até agora?
Sakura se perguntou que rumo a conversa estava tomando.
– Ele quer ficar aqui e aprender sobre o vinhedo, mas, Sakura, ele precisa voltar com vocês. – Sakura foi incapaz de responder. – Acho que ele quer ficar por mim. Como você sabe, fico sozinha aqui a maior parte do tempo. Minato vive em Uzuni. Tenho certeza de que Naruto lhe contou. Ele fala sobre você com muito carinho. Fico tão feliz em saber que ele é compreendido. Ele me disse que pintou um jardim para você.
– É uma pintura belíssima, Kushina-san. Nós plantamos o jardim exatamente como ele pintou. Ele tem muito talento.
– Eu sei. – Ela sorriu. Abriu o portão de ferro e a conduziu a uma campina no meio da qual se erguia o pombal de pedra. – Posso sentir que ele está infeliz, Sakura. Com você, ele pode gozar a liberdade de ser ele mesmo. Eu não suportaria se ele sacrificasse isso por mim. Esta é a oportunidade de uma vida, e quero que ele aproveite. Diga-lhe, por mim, que quer que ele regresse com vocês.
– Vou tentar – respondeu Sakura com a garganta seca.
De repente, Naruto apareceu atrás do pombal. Ele estava em pé com as mãos nos bolsos, olhando para elas com desconfiança.
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•·•·•·•·•·•·•·•·•·••·•·•·•·•·•·•·•·•– Naruto, mostre o *pombal a Sakura. Tenho de dar uma olhada no almoço. – Ela consultou o relógio. – Meu Deus, está quase na hora! Não demorem.
Ela se virou e saiu pelo portão.
– Por que veio? – perguntou Naruto, com um tom agressivo.
Ele olhava fixamente para ela, esperando rejeição.
– Sinto muito – sussurrou Sakura, aproximando-se dele. – Eu também estou infeliz.
O rosto dele suavizou-se.
– Você parece radiante – respondeu ele.
– É porque eu sabia que ia vê-lo.
– Então você também sentiu a minha falta?
– Sim.
Ele deslizou a mão em volta da nuca de Sakura e a puxou para si, pressionando os lábios contra os dela. Levou-a para trás da construção para que não fossem vistos do portão.
Sakura sentiu-se imprudente. Inebriada pela sensação do corpo dele em seus braços, esqueceu que seu marido estava sentado no terraço com Minato. Mergulhou em um mundo de fantasia onde apenas ela e Naruto viviam. Ele a tomou pela mão e a conduziu para a porta do pombal. Lá dentro estava quente e o ar tinha um aroma doce. Ele fechou a porta atrás de si e deitou com ela na palha. Sakura prendeu a respiração quando Naruto enterrou o rosto em seu pescoço, aspirando o odor familiar.
Enquanto faziam amor, ele entrelaçou os dedos nos dela. Sakura não se arrependeu de seu adultério, nem por um momento.
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Quando abriu os olhos, viu que ele a olhava como se ela fosse a mulher mais linda do mundo.
– Vai voltar para Konoha? – perguntou ela.
– Sim – disse ele. – Você sabe que eu moveria montanhas para tê-la.
– Você não precisa fazer isso, meu querido – respondeu ela, acariciando ternamente o rosto dele. – Estou aqui agora.
Eles se arrumaram às pressas, preparando-se para o almoço. Sakura abotoou a frente do vestido e o alisou, removendo quaisquer fragmentos de palha reveladores. Naruto dirigiu-se à porta, mas antes de sair virou-se e tornou a beijá-la.
– Você está linda – disse ele, segurando a mão dela. – Venha, voltaremos pelo outro caminho, mais longo. Assim, qualquer evidência será soprada pelo vento.
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Durante o almoço, Sakura irradiou um brilho que afetou a todos. Sasuke sentia prazer com a felicidade da mulher e em silêncio congratulava-se por ter providenciado essas férias longe de casa. Obviamente, era do que ela precisava. Estava parecendo mais encantadora do que nunca.
Depois do almoço, Minato insistiu em mostrar-lhes o vinhedo. Kushina recusou com elegância, retirando-se para uma soneca.
Sakura caminhava atrás de Sasuke e Minato com um passo enérgico e confiante, seu ombro quase tocando o braço de Naruto. Ela era incapaz de esconder sua animação. Minato os conduziu pelo jardim até o pombal.
– Graças a Deus, os pombos não sabem falar – comentou Naruto entre dentes enquanto entravam pelo portão.
– Kaze no Gāden pertence à minha família há quinhentos anos – disse Minato. – Este pombal foi construído no século XIX. – Bateu de leve nas costas de Naruto, fingindo afeto paterno. – Um dia meu filho herdará tudo o que é meu. Tudo isto existe há quinhentos anos; não há motivo para que não dure por mais quinhentos, não é mesmo?
Sakura estremeceu quando ele abriu a porta, que se chocou contra a parede, fazendo os pombos dissiparem no ar como balas.
– É bonito – comentou ela, entrando.
– É muito especial para mim – disse Naruto sem olhar para ela.
Sasuke olhou para a mulher.
– Um pouco mais encantador que o nosso, não acha, Rosada?
– Oh, acho que o nosso não fica devendo nada a ele.
– Não tem os pombos – acrescentou ele.
– Deveríamos comprar alguns.
– E dar uma demão de tinta nele – continuou Sasuke.
– Não. Não o pinte. Vai arruiná-lo se o pintar – disse Naruto.
– Então, quando planeja voltar para Konoha? – perguntou-lhe Sasuke.
– Na semana que vem – respondeu ele. – Eu precisava passar algum tempo...
– Você não consegue encontrar uma moça de Konoha adequada para ele? – interrompeu Minato. – Não se fazem mais moças como você? – acrescentou para Sakura com uma piscadinha.
– Você está me lisonjeando – respondeu Sakura com uma risada.
– Venha, deixe-me mostrar-lhe o jardim de Kushina.
Ele pousou a mão em suas costas e a conduziu para fora do pombal.
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✏ Notas:
*Akita: raça de cachorro japonesa.
*Assi (em coreano) significa: madame, senhora.
*Pombal: casa ou lugar em que se criam ou se recolhem pombos
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