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𝓟𝓸𝓻 𝓭𝓸 𝓼𝓸𝓵
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𝙰 𝚖𝚞𝚍𝚊𝚗ç𝚊 𝚍𝚊 𝚎𝚜𝚝𝚊çã𝚘 𝚌𝚊𝚞𝚜𝚘𝚞 𝚞𝚖𝚊 𝚖𝚞𝚍𝚊𝚗ç𝚊 𝚎𝚖 𝚖𝚒𝚖, 𝚞𝚖 𝚍𝚎𝚜𝚊𝚋𝚛𝚘𝚌𝚑𝚊𝚛, 𝚌𝚘𝚖𝚘 𝚞𝚖𝚊 𝚏𝚕𝚘𝚛 𝚒𝚗𝚎𝚜𝚙𝚎𝚛𝚊𝚍𝚊 𝚒𝚛𝚛𝚘𝚖𝚙𝚎𝚗𝚍𝚘 𝚊𝚝𝚛𝚊𝚟é𝚜 𝚍𝚊 𝚗𝚎𝚟𝚎. 𝙴𝚡𝚝𝚎𝚛𝚒𝚘𝚛𝚖𝚎𝚗𝚝𝚎, 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚒𝚗𝚞𝚎𝚒 𝚌𝚘𝚖𝚘 𝚜𝚎 𝚗𝚊𝚍𝚊 𝚝𝚒𝚟𝚎𝚜𝚜𝚎 𝚜𝚒𝚍𝚘 𝚍𝚒𝚝𝚘, 𝚖𝚊𝚜 𝚙𝚘𝚛 𝚍𝚎𝚗𝚝𝚛𝚘 𝚗ã𝚘 𝚌𝚘𝚗𝚜𝚎𝚐𝚞𝚒𝚊 𝚎𝚜𝚚𝚞𝚎𝚌𝚎𝚛 𝚊 𝚍𝚎𝚌𝚕𝚊𝚛𝚊çã𝚘 𝚍𝚎 𝚊𝚖𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝙼.𝚄.
À 𝚖𝚎𝚍𝚒𝚍𝚊 𝚚𝚞𝚎 𝚘 𝚍𝚎𝚐𝚎𝚕𝚘 𝚍𝚘 𝚒𝚗𝚟𝚎𝚛𝚗𝚘 𝚘𝚌𝚘𝚛𝚛𝚒𝚊, 𝚎𝚞 𝚖𝚎 𝚟𝚒 𝚙𝚎𝚗𝚜𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚌𝚊𝚍𝚊 𝚟𝚎𝚣 𝚖𝚊𝚒𝚜 𝚗𝚎𝚕𝚎. 𝚃𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣, 𝚜𝚎 𝚂𝚊𝚜𝚞𝚔𝚎-𝚔𝚞𝚗 𝚏𝚒𝚌𝚊𝚜𝚜𝚎 𝚖𝚊𝚒𝚜 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚜𝚊, 𝚒𝚜𝚜𝚘 𝚗ã𝚘 𝚝𝚒𝚟𝚎𝚜𝚜𝚎 𝚊𝚌𝚘𝚗𝚝𝚎𝚌𝚒𝚍𝚘. 𝙼𝚊𝚜 𝚎𝚕𝚎 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚒𝚗𝚞𝚊𝚟𝚊 𝚏𝚊𝚣𝚎𝚗𝚍𝚘 𝚜𝚞𝚊𝚜 𝚊𝚙𝚛𝚊𝚣í𝚟𝚎𝚒𝚜 𝚟𝚒𝚊𝚐𝚎𝚗𝚜, 𝚜𝚞𝚖𝚒𝚗𝚍𝚘 𝚎𝚖 𝚄𝚣𝚞𝚜𝚑𝚒𝚘 𝚎 𝙰𝚖𝚎𝚐𝚊𝚔𝚞𝚛𝚎 𝚙𝚘𝚛 𝚜𝚎𝚖𝚊𝚗𝚊𝚜 𝚊 𝚏𝚒𝚘. 𝙴𝚜𝚝𝚊𝚟𝚊 𝚊𝚕𝚑𝚎𝚒𝚘 à 𝚌𝚛𝚎𝚜𝚌𝚎𝚗𝚝𝚎 𝚊𝚗𝚐ú𝚜𝚝𝚒𝚊 𝚗𝚘 𝚖𝚎𝚞 𝚌𝚘𝚛𝚊çã𝚘.
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Sakura estava atormentada pela confusão. Como podia amar dois homens ao mesmo tempo? O seu amor por Sasuke não diminuíra, mas ela se viu sentindo-se cada vez mais atraída por Naruto. A princípio, tentou distanciar-se dele. Mas quando os galantos e os narcisos começaram a florescer, não pôde mais negar. Seus sentimentos eram sexuais, e não estavam diminuindo.
Certo dia de março, Naruto sugeriu que fossem a uma praia.
– Podemos almoçar num pub. Eu gostaria de ver um pouco mais de Konoha. – Ele estendeu as mãos e estremeceu. – Está garoando. Não podemos fazer nada com esta garoa.
Seu sorriso de súplica tornou impossível para ela recusar.
– É uma boa idéia – respondeu ela, tentando disfarçar a ansiedade. – Talvez Sasuke-kun queira vir. Ele provavelmente está ocupado demais, mas sei que gostaria que eu lhe perguntasse – disse ela, dirigindo-se para casa.
Sasuke estava sentado no escritório numa surrada poltrona de couro. Os cães encontravam-se deitados no tapete ao lado da lareira, e música clássica ressoava de um toca-fitas. Ele estava absorto num livro.
– Querido – disse ela, aproximando-se. Ele ergueu os olhos e sorriu ao vê-la. – Sinto muito por interrompê-lo.
– Você nunca me interrompe, Rosada – respondeu ele, pondo o livro no joelho.
– O dia está horrível, por isso Naruto sugeriu que fôssemos dar uma caminhada na praia. Por que não vem conosco?
– Por mais que o pensamento de passear na garoa com a minha mulher seja atraente, vou recusar – respondeu ele, e Sakura ficou horrorizada por sentir tamanho alívio. Num esforço de minorar sua culpa, ela conseguiu parecer apropriadamente decepcionada e deu um demorado beijo no rosto dele.
⊱✿⊰
Sakura seguia pelas entradinhas estreitas e sinuosas em direção à costa. Sentia-se excepcionalmente nervosa. Ao seu lado, Naruto parecia relaxado. Os limpadores de para-brisa removiam a chuva do vidro com a regularidade do tique-taque de um relógio. Sakura sentia mais intensamente do que nunca a rápida passagem do tempo. No fim do verão, ele voltaria para Uzushio, e ambos se recuperariam da paixonite.
Ela estacionou o carro no acostamento e o conduziu por um caminho serpenteante até uma praia isolada.
– Ninguém vem aqui – disse-lhe ela. – A praia é pedregosa. Mas adoro o som dos seixos sob os pés.
Na praia, Naruto caminhou ao lado dela. O vento recendia a sal, zunindo num momento, diminuindo de intensidade no momento seguinte, refletindo o constrangido diálogo entre Sakura e Naruto. Ele queria tomá-la nos braços, dar vazão às palavras em seu coração. Ela, por sua vez, ardia de desejo de ser abraçada por ele, mesmo que por um momento. Sakura se lembrou da tragédia do pôr do sol e de repente começou a chorar.
Naruto parou e a segurou pelos ombros.
– Sinto muito – sussurrou ela.
– Por que? – perguntou ele. – Não estou entendendo.
– É como o pôr do sol. Algo tão belo, ao qual quero me agarrar. Mas logo em seguida acaba.
– Sakura...
– Ou como o arco-íris. Amado à distância, mas impossível...
Ele não a esperou terminar. Puxou-a e a beijou com ardor. Ela não teve força para resistir. Deixou-o abraçá-la e fechou os olhos, renunciando ao controle. Depois se afastou.
– Não posso – disse ela com a voz entrecortada, tocando os lábios. – Não deveríamos ter vindo.
– Não podemos recuar agora – disse ele. – Fomos longe demais.
– Então o que podemos fazer?
– Eu não sei, Sakura. Tudo o que sei é o que está no meu coração. Quanto mais tempo passo com você, mais você me conquista.
Ela encostou a cabeça no peito dele e ouviu o som das ondas.
– Isso não pode acontecer, Naruto – disse ela. – Não posso trair Sasuke-kun. E as crianças... Nada no mundo me faria abandoná-las.
– Então voltarei para Uzushio.
– Não! – exclamou ela impetuosamente, afastando-se de novo.
– Não tenho escolha, Sakura.
– Mas quero passar a primavera e o verão com você. Quero desfrutar os jardins com você. Ninguém os entende como você.
Tentaram continuar como se o beijo jamais tivesse acontecido, mas, embora falassem de outras coisas, a lembrança dele permanecia.
Voltaram para casa em silêncio. Naruto retornou para sua cabana, e Sakura, para seu marido.
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