O jardineiro (fanfic releitura) - capítulo 6

 

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𝓜𝓪𝓻𝓼𝓱𝓶𝓪𝓵𝓵𝓸𝔀𝓼 𝓮 𝓯𝓸𝓰𝓾𝓮𝓲𝓻𝓪

Na segunda-feira de manhã, Sakura apresentou Naruto a Iruka. Ela ficou aliviada ao ver que o Uzumaki estava usando botas de cano longo, jeans e uma camisa rústica.

Iruka estava na casa dos 50 anos e vestia o mesmo boné e colete de tweed que usava desde que Sakura o conhecera. Tinha o rosto curtido pelo tempo, como uma árvore velha, e seus olhos brilhavam. Ele falava com o forte sotaque de Shibuya. Se Naruto conseguisse entender metade do que Iruka dizia, seria um milagre.

- Você pode me dar uma ajuda no jardim - disse ele sem sorrir. Iruka raramente sorria. - Especialmente porque as folhas estão caindo mais rápido do que consigo juntá-las com o ancinho.

Naruto passou o dia todo juntando folhas com o ancinho, aparando a grama, cortando uma pereira morta e removendo os detritos de um verão farto. No meio da tarde, parecia cansado.

- Acho que seria uma boa ideia você trabalhar com o Iruka esta semana toda. Comece a conhecer um pouco o lugar - sugeriu Sakura.

Naruto não achou a menor graça. Seu rosto anuviou-se, mas ele não se queixou.

- Jal - disse rapidamente. - Se é isso que você quer.

- Quero - respondeu ela. - E você vai ficar em excelente forma.

- Já estou em boa forma - disse ele. - Vou acender a fogueira. As crianças estão em casa? Talvez queiram ajudar.

- Vou pegá-las na escola. Tenho certeza de que adorariam ajudá-lo. Tome uma xícara de chá na cozinha. Você trabalhou duro o dia todo. Descanse um pouco.

Ele sacudiu a cabeça.

- Não. Tenho de levar mais algumas cargas para queimar.

- Vou mandar as crianças com marshmallows.

- Marshmallows?

- Não conhece Marshmallows? Então será uma surpresa. As crianças vão adorar mostrar a você. - Ela sorriu para ele, que não retribuiu o sorriso.

Sakura foi de carro até a escola, justificando mentalmente os trabalhos que tinha mandado Naruto fazer. Ele não aguentaria até o inverno.

As crianças ficaram empolgadas com a possibilidade de mostrar a Naruto como fazia marshmallows. De vola a casa, elas correram à horta, onde Iruka e Naruto estavam diante de uma enorme montanha de folhas e caixas de papelão. O céu estava totalmente nublado agora. Sakura as seguiu com a sacola de marshmallows.

- Quero mostrar a ele! - gritou Sarada, saltitando ao encontro da mãe, que abriu a sacola e entregou a filha um marshmallow cor-de-rosa e um espeto.

- Está bem, mas deixe-me ajudar você - disse.

Naruto observou cada um dos garotos pegar um punhado de marshmallows e aceitou o que lhe deram.

- Você em de colocá-lo num espeto - disse Itachi, sério -, senão vai queimar os dedos.

- Obrigado - disse Naruto. - Não gostaria de queimar os dedos.

- Veja! - gritou Sarada, segurando seu marshmallow numa chama amarela brilhante até ele adquirir sua própria chama. - Está vendo? - sibilou ela, animada.

- Muito bem, você pode tirá-lo da chama agora - disse Sakura.

- Sopre, mamãe!

Sakura aproximou-o da boca e soprou. Ele havia se transformado numa bola pegajosa e açucarada. Ela tornou a soprar, e em seguida o entregou à filha.

Sarada sorriu de satisfação.

- Delicioso! - exclamou.

- Experimente - disse Sakura a Naruto. - Considere isso sua iniciação no jardim. Se passar no teste, poderá ser membro do nosso clube.

Naruto segurou seu marshmallow sobre o fogo enquanto os garotos gritavam instruções para ele. O Uzumaki fez o que lhe diziam, fazendo perguntas para que se sentissem importantes.

Comeram todos os marshmallows, e em seguida Naruto sugeriu-lhes que participassem de um jogo.

- Se essa é minha iniciação no clube de vocês, então vocês têm de ser iniciados no meu - disse, sério.

Sakura observou com espanto quando ele começou a dançar em volta da fogueira, gritando com a mão na boca. Sua camisa desabotoada voava em volta do corpo, iluminando sua pele à luz da fogueira. Ele erguia os pés e pulava de um lado para o outro, fingindo ser um pele-vermelha. As crianças se juntaram a ele, imitando seus movimentos esquisitos, os corpos pequenos projetando sombras sinistras no muro do jardim. Sakura ria às gargalhadas e aplaudia.

⊱✿⊰

Nos dias que se seguiram, Naruto continuou a trabalhar com Iruka enquanto Sakura se ocupava com as bordaduras. Ela tentava planejar como plantaria seu jardim, mas nada lhe ocorria.

Na quarta-feira, depois de Naruto recusar o terceiro convite para jantar, e de ela comer sozinha, decidiu que estava sendo injusta. Ele tinha vindo para ajudá-la, e ela não podia mandá-lo trabalhar com Iruka o dia inteiro. Cruzou o campo na direção do rio. Não ia se desculpar, mas pediria o conselho dele sobre o jardim. Talvez ele tivesse ideias.

A ponte parecia prateada à luz da lua, estendendo-se sobre o rio, que fluía suavemente no silêncio. Ela adorava a noite, e seu estado de espírito melhorou quando se aproximou da cabana e bateu à porta.

Naruto empalideceu de surpresa quando a viu. Ela usava apenas uma camiseta sob o macacão roxo e parecia não sentir frio.

- Entre - disse ele, afastando-se.

Sakura tirou as botas e foi até a sala de estar. O fogo ardia na lareira e havia uma caixa de tintas e um copo de água turva sobre a mesa de café. Ela não imaginava que ele soubesse pintar.

Naruto não lhe ofereceu uma bebida, mas ficou em pé no vão da porta, esperando-a falar. Sakura cruzou a sala, aproximando-se do fogo.

- Vim pedir seu conselho.

- Conselho? - Ele não pareceu convencido. Por que faria isso? Você não acha que eu tenho algo a oferecer. - Ele jogou-se pesadamente no sofá. A camisa azul, com as mangas arregaçadas, estava solta sobre a calça de marca. - Você me mandou trabalhar com o Iruka. Como sabe o que posso e o que não posso fazer?

- Não sei - admitiu ela. - Sejamos honestos. Sua vinda para cá não foi ideia minha. Foi de Sasuke-kun. Eu não queria que você viesse. Sou capaz de cuidar do jardim sozinha.

- Então por que está aqui pedindo o meu conselho?

- Porque não sei o que fazer, e talvez você possa me ajudar. Você mesmo disse para não julgarmos as pessoas. Eu o julguei. Espero estar errada.

- Como posso ajudá-la?

- Com o cottage garden.

- Ah. - Ele se inclinou para a frente, apoiou os cotovelos nos joelhos e esfregou o queixo, pensativo. Sakura sentiu uma onda de alívio. Sua bandeira branca fora aceita. - O cottage garden - repetiu ele.

- Sim - disse ela. - Tentei, mas não consigo imaginá-lo.

- Na verdade, enho algumas ideias. Pintei algo para você.

Ele estendeu a mão sobre o braço do sofá e pegou um grande bloco de papel para pintura. Ele o pôs nos joelhos dela.

Sakura olhou para ele, muda. Ali, em cores vibrantes, estava uma pintura de seu cottage garden. Um caminho coberto de grama serpenteava através dele, ladeado por flores e arbustos. No meio, a sorveira, circundada por um belo banco redondo. Perfeito. Ela não poderia ter sonhado com um jardim mais belo.

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𝙵𝚘𝚒 𝚎𝚗𝚝ã𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚖𝚎 𝚍𝚎𝚒 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚊 𝚍𝚎 𝚚𝚞𝚎 𝙼.𝚄 𝚗ã𝚘 𝚎𝚛𝚊 𝚝ã𝚘 𝚍𝚒𝚏𝚎𝚛𝚎𝚗𝚝𝚎 𝚍𝚎 𝚖𝚒𝚖. É𝚛𝚊𝚖𝚘𝚜 𝚍𝚞𝚊𝚜 𝚙𝚎𝚜𝚜𝚘𝚊𝚜 𝚊𝚗𝚜𝚒𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚙𝚘𝚛 𝚌𝚛𝚒𝚊𝚛 𝚊𝚕𝚐𝚘 𝚋𝚎𝚕𝚘.


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