O jardineiro (fanfic releitura) - capítulo 5

 

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Na manhã seguinte, Ino cumpriu sua palavra e levou Naruto para cavalgar, deixando os gêmeos com Itachi, Izuna e Sarada, brincando próximo à árvore oca. Kido-chan dormia na varanda, enroscado numa velha camisa de lã. Sasuke tinha ido caçar no fim de semana no condado de Hakido e levara Tarquin. Sakura ficara sozinha com Bernie e as crianças.

Ela aproveitou a oportunidade para arrumar a cabana. O último residente fora o irmão solteirão de Sasuke, que a usara nos fins de semana. Quando ele se casara e comprara uma casa perto de Uchiose, Sasuke tentara alugar a cabana. Ele havia instalado uma nova cozinha e pintado toda a cabana, mas ela se revelara impopular porque não havia entrada para veículos. O inquilino teria de estacionar próximo da casa e cruzar o campo, o que era uma grande inconveniência para ambas as partes.

Apesar disso, Sakura sempre gostara da bela e isolada cabana, abrigada embaixo de castanheiras frondosas, com rosas cor-de-rosa e brancas que subiam pelas paredes e pendiam da porta da frente no verão. No lado de fora, o rio fluía devagar sob a ponte de pedra.

Ela arrumou a cama de ferro com lençóis limpos e jogou o edredom num canto a fim de levá-lo para lavar. Aspirou os tapetes e esfregou o chão da cozinha. Abriu as janelas para que o outono impregnasse os aposentos com a doce fragrância de grama úmida. Satisfeita com o trabalho bem feito, ela ficou ali parada por um bom tempo admirando-o, depois saiu com o edredom.

Ino voltou com Naruto a tempo para o almoço. As crianças tinham brincado a manhã inteira na árvore, entrando finalmente no vestíbulo com botas enlameadas e bochechas vermelhas. Naruto desaparecera lá em cima para trocar de roupa.

Sakura assara dois frangos. Ela estava em pé junto ao fogão fazendo o molho enquanto as crianças se acotovelavam na pia para lavar as mãos. Ino entrou e serviu-se de um copo de suco de maçã tirado da geladeira. Seus cabelos loiros eram longos e estavam espetados por terem ficado presos sob o chapéu para a cavalgada, e seu rosto corado por causa do vento. Ela aproximou-se silenciosamente de Sakura.

- Naruto Uzumaki é bem atraente - sussurrou. - Um belo homem.

- Refreie o entusiasmo. A última coisa que o ego dele precisa é de alguém como você desejando-o.

- Não há mal nenhum em olhar vitrines. Não estou afim de comprar - retrucou ela, encostando-se no fogão para se aquecer.

Nesse momento, Naruto apareceu no vão da porta. Ele tinha vestido jeans, camisa azul-clara e cinto de couro de vaqueiro. Ino lançou um olhar para Sakura, que preferiu ignorar.

- Muito bem, crianças, para a mesa, por favor. - As crianças subiram no sofá sem pés embutido na parede. - Naruto, por favor, sirva-se de uma bebida. Elas estão na geladeira ou na despensa lá fora - instruiu ela, apontando uma porta que conduzia para a saída da cozinha. - Os copos estão no armário. Você teve uma boa manhã?

- Fantástica! - exclamou ele. - Subimos na colina, tão alto que pudemos ver o mar.

- Galopamos pelo planalto de Nanko - acrescentou Ino.

Naruto passou-lhe os pratos, ajudou as crianças a se servirem de ketchup e shoyo e depois trinchou frango para os três adultos. As crianças estavam sentadas quietas, já comendo.

- Naruto, você tem um talento inato! - disse Ino efusivamente, pegando uma travessa e servindo-se de fatias de frango. - Se ficar entediado aqui, sempre poderá ir ajudar na Fazenda Bokuro.

- Esta casa é muito japonesa - respondeu ele, sorrindo para Sakura. - Desse jeito, acho que o tédio será o último dos meus problemas.

- Terminei de arrumar a cabana - disse Sakura, sentando-se. - Vou levá-lo lá hoje à tarde. Então poderá ir e vir quando quiser. Ela será o seu lar enquanto estiver aqui.

- Você é muito generosa.

- E você pode vir cavalgar comigo sempre que quiser - interpôs Ino. Em seguida, reagindo a um olhar de Sakura, acrescentou: - Tenho umas primas bonitas, mais ou menos da sua idade, que moram aqui perto. Seriam uma boa companhia para você. Pode cavalgar com elas.

- Tenho um monte de opções - respondeu ele, pegando um bocado de frango. - Sakura é uma cozinheira maravilhosa! Tudo o que prepara é delicioso. Acho que, afinal de contas, não quero viver na cabana!

Sakura estava lisonjeada.

- Você pode almoçar e jantar conosco sempre que quiser.

Após o almoço, todos caminharam pelo campo até o rio para mostrar a Naruto seu novo lar. As crianças brincavam na ponte, jogando gravetos na água. O ar estava úmido. Mais tarde choveria.

- Não providenciei lenha - disse Sakura a Naruto. - Mas o celeiro está cheio de toras. Pegue quantas precisar. Se esperar até segunda-feira, Iruka o ajudará.

- Não se preocupe, posso fazer isso sozinho.

- Sugiro que fique na casa esta noite, Naruto, e se mude para a cabana amanhã. Você pode ir no meu carro à aldeia e comprar tudo que precisa.

À visão da cabana, o rosto de Naruto abriu-se num largo sorriso.

- Com certeza serei feliz aqui - disse ele, andando na direção da cabana.

Elas se juntaram a ele quando algumas gotas de chuva começaram a cair. Sakura procurou a chave no bolso da calça. A porta se abriu com um gemido, e eles entraram. As crianças permaneceram do lado de fora, na ponte, observando a chuva criar desenhos na água.

Lá dentro estava mais quente. Tinha perfume de lustra-móveis e desinfetante com cheiro de pinho. Lá em cima, as janelas ainda estavam abertas. Uma corrente de ar desceu a escada. Eles tiraram as botas, e Sakura correu para cima para impedir a entrada da chuva enquanto Naruto e Ino iam para a sala de estar.

Quando Sakura fechou a janela, o céu de repente despejou um aguaceiro. As crianças gritaram como camundongos assustados, e ela as observou disparar na direção da árvore oca. Depois, na névoa da chuva, as nuvens se abriram, e o sol inesperadamente brilhou através delas, iluminando o céu com o mais belo arco-íris. A luz do sol inundou o espírito de Sakura de alegria, e ela foi imediatamente tomada pela necessidade de partilhá-la. Desceu correndo a escada.

- Depressa, para fora! - gritou.

Ino e Naruto apareceram no vestíbulo.

- O que está acontecendo? - indagou Ino, os pensamentos voltando-se imediatamente para os filhos.

- Um arco-íris! - disse Sakura, abrindo a porta. - Vocês têm de vê-lo.

Ela calçou as botas com dificuldade e correu para fora. Pôde sentir a chuva escorrendo pelo pescoço, mas não se importou. Nunca tinha visto um arco-íris tão nítido que pudesse distinguir cada cor, mesmo a ilusória cor-de-rosa, que situa entre o verde e o azul e costuma ser tão indistinta a ponto de ficar quase oculta. Sakura olhou para Naruto e o flagrou observando-a, então sorriu, disfarçando a inquietação que sentiu com o olhar dele.

- Uau! Impressionante! - exclamou Ino, apertando o casaco em torno do corpo. - Podemos voltar lá para dentro agora?

- Pode ir. Leve Naruto. Quero ficar aqui até ele desaparecer - respondeu Sakura.

Ino voltou apressadamente para a cabana, e não restou a Naruto nenhuma opção senão segui-la.

Sakura foi até a ponte, onde ficou em pé na chuva, contente por estar sozinha. Por fim a chuva se tornou uma leve garoa, e o arco-íris se desvaneceu. Ino e Naruto saíram da cabana, e ela foi até eles.

- Acho que um pouco de Sakurayu nos aqueceria - disse Ino, entrando na casa.

- Aposto que as crianças se esconderam na árvore oca - disse Sakura. - Provavelmente estão tão secas quanto pequenas toupeiras.

E estava certa. Elas viram os adultos aproximando-se, e Sarada saiu da árvore.

- Vocês viram o arco-íris? - gritou. - Era enorme!

Sakura pegou a mão dela.

- Você viu a faixa cor-de-rosa?

- Sim! - Sarada relacionou as cores uma a uma. - Cor-de-rosa e verde combinam, não é, mamãe?

- Tem razão, querida. Cor-de-rosa e verde combinam. São as minhas cores prediletas. - Ela se virou para Naruto. - Da próxima vez, procure a cor-de-rosa. Ela está lá, mas você tem de procurá-la.

- Como a beleza - disse ele. - Que está em tudo, se você a procurar.

- Isto está aberto ao debate - interpôs Ino. - Procuro por ela todas as manhãs no espelho, mas ela ainda me escapa.

- Acho que seus filhos a vêem todas as vezes que olham para você - disse Naruto. Ino pareceu constrangida. - Você não pode encontrar sua própria beleza - prosseguiu ele.

Sakura continuou a caminhar, ainda segurando a mão da filha. Ela estava certa de que Naruto encontrara sua própria beleza no espelho havia muito tempo.

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