Uchiha Itachi - o conto de um herói (oneshot)

 




Olá, reles mortais. Meu nome é Uchiha Itachi.


Querem ver a história de um herói? Então, vou lhes contar.


O que é ser um herói?


Lembro-me de quando era mais novo. Morávamos meu pai, minha mãe, meu irmão mais novo e eu. Nossa casa era situada no distrito isolado de nosso querido clã Uchiha. Mais querido ainda para um tal de Tobirama.

Desde pequeno fui considerado um gênio, e muito habilidoso; um verdadeiro orgulho para meus pais e meu clã. Vale ressaltar aqui que meu clã é tão foda, aos olhos de muitos, que só tinha eu de forte naquela merda. Mas, ok. Continuando…

Meu irmão era tão querido para mim, que eu sempre inventava desculpas para ficar o mais longe possível dele. Criaturinha mais graciosa, desde pequeno.

O conceito de família era muito forte para mim, - sério mesmo! - até a malvada e terrível Konoha se meter com meu clã. Infelizmente, fui obrigado a assassinar a todos eles sozinho (sim, nessa época ainda não haviam inventado um Obito - nem um Shisui, nem uma Izumi). Aquilo tinha sido tão cruel para mim, que não havia deixado restar um, apenas o meu querido irmãozinho.

E foi então que a porta da minha casa se abriu.

Lá estava ele: meu querido irmãozinho. Posso dizer para vocês que eu poderia ter sumido naquela hora, deixando-o apenas com a terrível cena sombria de nossa casa, e nossos pais mortos jogados no chão. Mas… Assim não teria graça!

Sasuke ficou estacado na mesma posição, sem saber como reagir, então resolvi reagir primeiro. Lancei-lhe meu poderoso genjutsu, mas de um modo leve, para não causar tanto estrago; não era o meu objetivo.

Sasuke ficou ainda pior, babando e grogue depois do que eu havia feito. Mas, tirando uma força de algum lugar desconhecido, ele não deu-se por satisfeito e veio correndo me atacar.

Ha ha ha ha ha! Sim. A mim!

Posso dizer que também poderia ter desaparecido nessa hora, mas não quis. Meu intuito, naquele instante, era ficar ali e mostrar… Mostrar o que mesmo?

Eu o golpeei uma vez, duas vezes, até que ele desistiu e correu para longe da casa, para longe de mim. Ah, Sasuke. Você não sabe brincar?

Mais uma vez, digo-lhes que tive a chance de ir embora, e deixar meu querido irmãozinho fugir desesperado. Mas, não. Fui atrás dele e disse as mais doces palavras que um irmão mais velho diz para seu irmão mais novo: 


"Kisama nado… korosu kachi mo nai… Orokanaru otōto yo… Kono ore o koroshitakuba, urame! Nikume! Soshite, minikuku ikinobiru ga ii… nigete… nigete… sei ni shigamitsuku ga ii."

(Não há nenhum valor em matar alguém como você… meu irmão tolo… Se você quer me matar, me xingue! Me odeie! E viva uma vida longa e sem graça… fugir… fugir… e se apegar à sua vida miserável.)


Somente desse jeito ele viraria homem de vez, então acho que fiz um favor para muitas garotas. Não é, Sakura?

Finalmente, após fazer o que eu tinha em mente, fui embora, deixando meu amado irmãozinho em prantos. Mais tarde, entrei para uma organização chamada Akatsuki, já sabendo que todos lá eram maus. Na verdade, me infiltrei nessa organização para vigiá-los e proteger minha querida aldeia de qualquer mal.

O tempo passou e, após ajudar os outros membros a matar muitos jinchuurikis, fui atrás de um tal Uzumaki na minha vila junto de meu novo amiguinho, Kisame.

Ah, lembrando-lhes que minha busca por esse tal jinchuuriki da Kyuubi era puro fingimento!

Estava fingindo ser mau, caçando um pré-adolescente de doze anos para entregá-lo à uma organização psicopata que o mataria no mesmo instante para cumprir seus objetivos.

Mas nada daquilo era real, claro que não.

Lutei sem piedade contra vários jounins de Konoha, e até mesmo lancei um leve genjutsu em um velho amigo e senpai por pura encenação. Não houve realidade naquilo, nem prazer em meus olhos.

Finalmente, encontrei o moleque loiro, mas meu irmãozinho apareceu de brinde. Naquele momento, me deu uma imensa vontade de abraçá-lo e dizer-lhe o quanto eu o amava, mas não tive culpa quando ele reuniu coragem para vir me enfrentar com sua técnica de raio. Por causa de Sasuke, quebrei-lhe o pulso, mas foi apenas para fingir para Kisame como eu era malvado.

Voltei-me para o ninja laranja com roupa de gari para realizar o procedimento final, para o bem de Konoha, mas meu irmãozinho veio em minha direção para atacar-me novamente.

Acho que já vi essa cena antes… Hu hu hu hu hu.

Então, para fingir-me de mau para meu companheiro de facção, chutei tão levemente a barriga do meu irmão que, se ele fosse uma mulher grávida, com certeza teria causado um aborto.

Continuei batendo nele, mas apenas para disfarçar, e segurei seu pescoço, pendurando-o na parede. Achei que não seria apenas meu ex-senpai, Kakashi, que entraria em meu mundo encantado, mas meu irmãozinho também.

Seus gritos de dor e desespero soaram como algo terrível aos meus ouvidos, mas, ainda assim, fiz questão de sorrir e dizer-lhe a mais bela e doce frase, para não perder o costume:


"Omae wa yowai. Naze yowai ka? Tarinai kara da, nikushimi ga."

(Você é fraco. Por quê é fraco? Porque lhe falta… ódio.)


Continuei segurando-o contra a parede, e garanto a vocês que faria mais, - apenas para disfarçar, é claro! - mas um dos lendários sannins, Jiraya, me impediu. Droga!

Quer dizer… Ainda bem!

Corri para fora dali com Kisame, porque não estava nem um pouco com medo de um sannin Velho e tarado. Eu, medo de Jiraya?

Não conseguimos completar nosso plano - para o bem de Konoha, é claro - e tivemos que voltar sem o ninja laranja para nossa organização feliz.

Algum tempo se passou, e continuei fingindo concordar com meus companheiros dentro da Akatsuki, protegendo minha querida vila de todo mal.

Minha proteção à vila teve tanto êxito que, enquanto nosso líder estava colocando o terror lá, eu estava sentado em meu trono trocando de esmalte. Mas tudo era pelo bem da vila, é claro.

Contudo, algo me chamou a atenção: à minha frente estava meu irmão em seu melhor visual mamãe-sou-gostoso-e-bad-boy, pronto para me enfrentar.

Ora, ora, ora. Ele queria brincar de novo…

Devo confessar que meu doce irmão havia evoluído. Com oito anos de idade não conseguira me enfrentar; com doze anos me enfrentou, porém, sem sucesso; mas naquele instante, não estava sendo tão fácil para mim desviar de seus ataques furiosos e estrategistas.

Lutar contra meu querido irmãozinho tinha sido doloroso para mim, principalmente quando quis tirar seus olhos - mas apenas para disfarçar, ok?

Me senti tão triste ao fazê-lo de saco de pancada, ainda que ele conseguisse revidar. Fiquei ainda mais triste quando, com meu Susano'o já ativado, fui andando lentamente em direção a ele, ameaçando quebrar todos os seus ossinhos, com um sorriso maligno enfeitando meus lábios.

Porém, como por obra do destino - para não dizer PROTAGONISMO PURO - uma doença foi ativada em mim, para que eu morresse para o personagem favorito do autor da obra: meu lindo irmãozinho assustado.

E assim foi a vida de um herói…


E o que é ser um herói?


Um herói de verdade não busca seus próprios sonhos; ele acaba com os sonhos alheios.

Um herói de verdade não busca ter amigos de verdade; ele se infiltra numa organização criminosa.

Um herói de verdade não transforma vilões em pessoas boas; ele anda com vilões, e perturba completamente a mente do irmão mais novo, fazendo com que o mesmo cresça virando um babaca.

Um herói de verdade não forma laços com grandes ninjas; ele ajuda seus companheiros de organização a matar ninjas inocentes.

Um herói de verdade não vem com papo furado de "nunca voltarei atrás com minha palavra, pois esse é meu jeito ninja"; um herói de verdade é vilão quase o anime inteiro para, só depois de sua morte, virar bonzinho.


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