O jardineiro (fanfic releitura) - capítulo 1

 

⋅ ────── ❴ • ✿ • ❵ ────── ⋅

𝓙𝓪𝓻𝓭𝓲𝓶

Nota inicial:

Fiquei me perguntando quais nomes dar para os personagens. Mas sabia, de uma certa forma, que ela seria NaruSaku desde o momento em que acabei de ler.

Sim, a história original não me pertence. Ela é de autoria da Santa Montefiore, que escreveu "O Jardineiro Francês". 


•| ⊱✿⊰ |•


A voz de Sakura Uchiha vinha do meio do canteiro. Embora ela estivesse oculta pela grande rosa-de-gueldres que podava, seu canto entusiástico agitava o revigorante ar matinal e fazia os cães brincarem excitados na grama. Ava estava usando um macacão roxo de algodão cru e uma camiseta de mangas curtas, com os cabelos rosados toscamente presos no alto da cabeça com um lápis. Suas mãos eram ásperas por causa da jardinagem, as unhas curtas e irregulares, mas as maçãs do rosto irradiavam saúde e seus olhos verde-claros cintilavam. Ela era mais feliz ali fora, independentemente do tempo, e raras vezes sentia frio, embora fosse uma mulher esguia. Aos 27 anos, conservava o viço da juventude. Seu rosto era gracioso, porém não tão bonito, o nariz um pouco arrebitado e muito reto, e a boca era grande e sensual. Sua natureza excêntrica tornava-a fascinante. Ninguém a amava mais do que o marido, Sasuke Uchiha, e seus três filhos pequenos, Itachi, Izuna e Sarada.

— Ei, Rosada! — gritou Sasuke, caminhando a passos largos pelo gramado.

Bernie, o felpudo são-bernardo, e Tarquin, o jovem labrador, pararam de rolar de um lado para outro na grama e correram até ele. Ele era cinco anos mais velho que a mulher, 32 anos, tinha 1,90 de altura, costas retas e ombros largos. Com óculos redondos empoleirados no nariz aristocrático, rosto estreito e testa alta, Sasuke Uchiha tinha uma aparência distinta. Passava a maior parte do tempo em seu escritório, escrevendo a história definitiva do Sakê, ou em outras vilas, visitando vinhedos. Mas não era inclinado à solidão. Gostava de dar festas e longos jantares, e sentia prazer em socializar com as pessoas de Konoha na saída do templo aos domingos.

Quando chegou o carteiro, ele esperou um pouco, apreciando o canto melodioso da mulher. Em seguida, chamou-a de novo pelo apelido que lhe dera no início do namoro:

— Rosada, querida!

— Oh, olá! - respondeu ela, saindo de gatinhas de onde estava.

Havia folhas presas nos cabelos dela e um borrão de lama em uma das bochechas.
— Naruto Uzumaki estará na estação em meia hora. Você não se esqueceu dele, não é?

A surpresa em seu rosto confirmou que ela havia se esquecido. Sakura era distraída, a mente absorvida nas árvores e flores de seu jardim.

— Eu esqueci completamente. Não fiz nada na cabana.

— Bem — suspirou Sasuke, sorrindo, indulgente —, Naruto é jovem e ficará contente num saco de dormir. — Ele cruzou os braços contra o frio. — Olhe, vou pegá-lo, mas depois é com você, Rosada.

— Obrigada. — Sakura enlaçou o pescoço dele, que recuou, consciente de que ela estava coberta de lama e folhas mortas, mas o afeto dela o persuadiu, e ele a envolveu nos braços, erguendo-a do chão. — Você é um amor - ela disse rindo, agarrada ao pescoço dele.

— Você está congelando — respondeu ele. — Gostaria de envolvê-la num cobertor e lhe dar uma xícara de Sakurayu.

— Só isso?

— Por ora, sim. Tenho de ir buscar seu aprendiz.

— Essa é realmente uma boa ideia? — indagou ela, afastando-se. — Você sabe que gosto de cuidar sozinha dos jardins, e Iruka ajuda a arrancar as ervas daninhas e a cortar a grama. Na verdade, não precisamos de mais ninguém.

— Rosada, nós já encerramos este assunto. Estamos fazendo um favor ao pai de Naruto Uzumaki. Depois de tudo que o Yondaime fez por mim, estou contente por ter uma oportunidade de lhe retribuir. Graças a ele, portas se abriram para mim em toda Uzushio. Você é muito dada, Rosada. Naruto Uzumaki aprenderá muito com você. Se ele vai herdar o Kaze no Gāden, tem de saber administrar uma propriedade.

— Ele não pode contratar pessoas que façam isso por ele?

— A questão não é essa. Minato o quer fora da vila e na zona rural de Konoha por um tempo, longe de Uzushio. Ele teve permissão de fazer o que bem entendesse lá. Minato quer que Naruto seja inspirado. Quer que ele assuma responsabilidades.

O Gāden e o vinhedo são magníficos. É uma grande responsabilidade.

— Entendo.

Ela não sentia o menor entusiasmo por aquilo.

— Além do mais, será bom para os garotos terem um rapaz aqui com quem se divertir. Já não tenho o mesmo pique de antes.

— Eu o conservo jovem — protestou Sakura.

— É verdade. — Ele deu um risinho. — Mas eu não falo coreano.

Sakura sorriu, acanhada, para ele. Ela falava coreano fluentemente, pois fora enviada para uma escola em Seul aos dezesseis anos.

— Agora você está fazendo com que eu me sinta culpada por não ter falado coreano com eles — disse ela.

— Eu jamais esperei isso de você, Rosada. Só espero que você se levante de manhã... o resto é uma surpresa!

Ela lhe deu um tapa de brincadeira.

— Seu bobo!

Sasuke beijou-lhe a testa. Sakura retribuiu o beijo, deixando-o ir com um sorriso carinhoso.

Ela observou Sasuke voltar a passos largos pelo gramado na direção da casa. Como ela era afortunada por ter tudo que poderia desejar: um marido que a amava, três filhos felizes, a casa mais bonita de Konoha e seus queridos jardins.

🌸

Nota final:

Sakurayu, Sakura-cha, ou "chá de flor de cerejeira", é uma bebida quente baseada em infusão da culinária japonesa, criada pela mistura de flores de cerejeira em conserva com água quente.






Comentários