O jardineiro (fanfic releitura) - capítulo 2

 

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Sakura ainda estava trabalhando no canteiro quando Sasuke voltou uma hora mais tarde com Naruto Uzumaki. Bernie e Tarquin correram para a frente da casa, latindo alto. Ela saiu do canteiro e limpou o suor da testa quando o rangido de pneus no cascalho parou abruptamente. Ouviu portas abrindo-se e fechando-se, e em seguida a voz do marido cumprimentando os cães como se fossem pessoas. Saiu apressada pelo portão na sebe de teixos que ocultava os jardins da frente da casa. Sasuke estava abrindo o porta-malas da velha caminhonete Mercedes.

Sakura observou Naruto Uzumaki afastar-se do carro enquanto caminhava na direção dele. Era o rapaz mais bonito que ela já vira.

— Olá, sou Sakura — disse ela, limpando a mão no macacão antes de estendê-la para Naruto. Para sua surpresa, ele a levou até os lábios com uma mesura formal.

— É um prazer conhecê-la — disse.

Os olhos dele eram lindos como o azul do céu, e seu olhar era intenso. Ela lhe teria respondido em mandarim, mas o japonês dele era perfeito, embora com um forte sotaque. Sakura sentiu alguma coisa agitar-se em seu estômago.

— Seu vôo foi agradável? — perguntou ela.

— Cheguei a Konoha há alguns dias. Quis absorver um pouco de cultura antes de vir para cá — respondeu ele.

Sasuke carregou a mala de Naruto para a casa.

— Por que você não entra e bebe alguma coisa? — disse Sakura, seguindo o marido através da varanda. - Você terá de ficar na casa por mais ou menos uma semana enquanto apronto a cabana para você. Lamento, mas demorei a me organizar.

Naruto Uzumaki não era nada do que Sakura esperava. Primeiro, ele não parecia com um jardineiro. Estava magnificamente vestido com um paletó de tweed macio, camisa azul e jeans. No pescoço ele usava um cachecol de caxemira. Tinha os cabelos rebeldes e loiros, nariz aquilino, boca assimétrica e sensível. Suas mãos estavam limpas, as unhas asseadas, não as mãos de um homem costumado a cavar. E ele calçava mocassins Gucci.

Sentaram-se em banquetas na cozinha enquanto Sakura preparava o almoço. Ela havia colhido alho-poró e couve-de-bruxelas na horta e comprado trutas no peixeiro. Ava cultivava ervas junto ao muro do jardim num antigo cocho e tinha feito manteiga com manjericão e pasta de grão-de-bico com tahine para acompanhar pão caseiro de alecrim.

Ao encontrar Sakura pela primeira vez, ninguém jamais imaginaria que ela fosse tímida. Sasuke sabia que a mulher entretinha as pessoas para esconder a timidez e ele adorava isso. Sakura sempre se mostrava à altura da situação, contando histórias engraçadas e fazendo as pessoas rirem, para depois desaparecer em bem-aventurada solidão em seu jardim. Ela começou a conversar com Naruto, que a olhava com uma expressão arrogante, como se ela fosse uma parenta excêntrica a ser tolerada. Ele ouviu e sorriu polidamente, até todos se sentarem à mesa para o almoço.

— Então, Sr. Uzumaki-

— Pode me chamar de Naruto.

Sakura assentiu.

— Então, Naruto — disse ela, passando-lhe um prato de legumes fumegantes. — Soube que sua família tem um belo jardim em Uzushiogakure.

— Sim — respondeu ele. - Temos um Gaden perto de Indatsu. Minha mãe adora jardins, e eu admiro o que ela fez lá. Um dia criarei um belo jardim.

- O que espera aprender aqui?

Ele deu de ombros.

- Meu pai diz que o seu é o melhor que ele já viu.

- Gostaria de tê-lo conhecido. Ele esteve aqui uma vez, há quase oito anos, quando eu estava doente, visitando minha mãe. Gostaria de ter lhe mostrado a propriedade pessoalmente. Fiquei surpresa de Sasuke-kun tê-la mostrado além de sua adega.

- Querida, não há nada melhor que andar pelos seus jardins com uma taça de vinho - respondeu Sasuke com uma risadinha.

- Ele diz que você tem um grande talento - continuou Naruto.

- Você deixou alguma namorada em Uzushio? - perguntou Sasuke com um sorriso.

Naruto deu um sorriso afetado e ergueu uma sobrancelha.

- Algumas - respondeu.

- Meu Deus! - disse Sakura, irritando-se com a arrogância dele. - Espero que não esteja com o coração partido.

- Jamais sofri por amor. Meu coração se partirá quando minha mãe morrer. Isso é inevitável. - Sakura olhou ironicamente para ele. Era um comentário estranho para um homem da sua idade fazer.

- É óbvio que vocês são próximos.

- É claro. Sou seu único filho. Sou mimado, e todas as minhas vontades são satisfeitas. Minha mãe é uma mulher incrível. Eu a admiro.

- Espero que nossos filhos sintam o mesmo quando tiverem sua idade - disse ela.

-Vocês têm três filhos, não é mesmo?

- Dois meninos e uma menina. Vai conhecê-los mais tarde, quando voltarem da escola.

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