Love me - conto 5

  

Um conto Eremika

"𝓔𝓼𝓽𝓪𝓻𝓲𝓪 𝓮𝓵𝓮 𝓭𝓲𝓼𝓹𝓸𝓼𝓽𝓸 𝓪 𝓽𝓮𝓷𝓽𝓪𝓻 𝓸𝓾 𝓼𝓮𝓻𝓲𝓪 𝓼𝓸𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 𝓾𝓶𝓪 𝓮𝔁𝓹𝓮𝓻𝓲𝓮𝓷𝓬𝓲𝓪 𝓭𝓪𝓺𝓾𝓮𝓵𝓮 𝓭𝓲𝓪 𝓮𝓶 𝓮𝓼𝓹𝓮𝓬𝓲𝓯𝓲𝓬𝓸? 𝓜𝓲𝓴𝓪𝓼𝓪 𝓷ã𝓸 𝓼𝓪𝓫𝓲𝓪 𝓮 𝓷𝓮𝓶 𝓪𝓭𝓲𝓪𝓷𝓽𝓪𝓻𝓲𝓪 𝓼𝓪𝓫𝓮𝓻 𝓪𝓰𝓸𝓻𝓪. 𝓔𝓵𝓪 𝓪𝓹𝓮𝓷𝓪𝓼 𝓪𝓰𝓪𝓻𝓻𝓪𝓻𝓲𝓪 𝓮𝓼𝓼𝓪 𝓬𝓱𝓪𝓷𝓬𝓮 𝓮 𝓪𝓹𝓻𝓸𝓿𝓮𝓲𝓽𝓪𝓻𝓲𝓪 𝓸 𝓶𝓮𝓵𝓱𝓸𝓻 𝓭𝓸 𝓶𝓸𝓶𝓮𝓷𝓽𝓸 𝓭𝓸𝓼 𝓭𝓸𝓲𝓼. — 𝓜𝓮 𝓪𝓶𝓮  — 𝓜𝓲𝓴𝓪𝓼𝓪 𝓹𝓮𝓭𝓲𝓾 𝓬𝓸𝓶 𝓼𝓾𝓪 𝓿𝓸𝔃 𝓶𝓾𝓻𝓶𝓾𝓻𝓪𝓭𝓪 𝓮 𝓲𝓷𝓼𝓮𝓰𝓾𝓻𝓪."





Mikasa encheu de água as duas mãos formadas em concha e novamente jogou o líquido transparente dentro da banheira cheia.

Eren esboçou um pequeno sorriso e pediu para que ela se inclinasse para frente.

— Quero lavar as suas costas — Ele disse quase num murmúrio e ela obedeceu prontamente.

Apesar do frio dos dias anteriores, aquela semana apresentava bastante calor, mesmo que a cabana deles estivesse sob muitas árvores perto da montanha.

Na tarde ensolarada daquele dia, Eren havia tomado a decisão de se refrescar na banheira e também de lavar o delicioso corpo de sua escrava. Parecia ser um gesto íntimo demais estar naquela situação com ela, lavar as costas firmes e femininas, até mesmo permitir que ela o tocasse; mas a verdade é que naquele momento ele não se importou nem um pouco. Mesmo que parecesse "romântico", não era tão mal, afinal, ambos sabiam de suas posições naquele relacionamento.

Mikasa cruzou os braços acima dos joelhos fechados e saboreou cada momento em que a esponja subia e descia por suas costas. Embora tivesse braços fortes e fosse rude na maioria das vezes, Eren mostrava mais gentileza e delicadeza para com ela. Mikasa adorava esses raros momentos gentis vindos do homem que amava, mas sempre se esforçava para lembrar de que o atual Eren não era assim; a tórrida relação deles não combinava com aquilo.

— Está gostando? — Mikasa ouviu a sussurrada e rouca voz de Eren perto da sua nuca.

Ah, ela estava amando. Por Mikasa, as pernas dela já estariam bem apartadas e com a cabeça pendendo para fora da banheira enquanto ele estivesse penetrando fundo para dentro do corpo dela.

Ela assentiu e respondeu sem qualquer timidez:

— Sim, mestre.

As mãos dele alcançaram outra direção. O foco já não era somente as costas firmes dela, mas os seios nus e deliciosamente molhados. A esponja e a outra mão dele deslizavam e se moviam em círculos sobre os seios fartos, de vez em quando apertando os mamilos já entumescidos. De modo quase inconsciente, Mikasa abriu as pernas e semicerrou os olhos, deixando sua cabeça encostar no ombro dele.

Eren sorriu orgulhoso por notar o quão boa submissa e amante Mikasa havia se tornado; enquanto que antes ela não sabia nada do prazer de satisfazer a ambos, atualmente ganhava cada vez mais experiência. O sorriso dele também trazia um lado travesso, pois ele adorava observá-la quase perder o controle. Definitivamente, teria planos para ela.

— Os seus seios estão cada vez mais cheios e duros — Eren murmurou perto do ouvido dela enquanto brincava com os montes macios.

Os olhos de Mikasa se abriram mais em surpresa e com um pouco de preocupação pela questão importante que sempre sombreava a relação deles.

— Eu gosto disso — Ele completou trazendo um pouco mais de alívio ao coração dela.

Até quando aquele pequeno ser frágil e indefeso seria tratado como apenas uma sombra entre eles, um pequeno segredo que não podia ser mencionado ou sequer pensado?

Mikasa decidiu não pensar naquilo. O dia havia começado especial e ela não queria que se estragasse com pensamentos inoportunos por assuntos ainda pendentes.

— São tão macios e gostosos de mexer — Ele sussurrou próximo ao ouvido dela e aproveitou o momento para morder suavemente o lóbulo da orelha. Mikasa gemeu com os olhos fechados e ele sorriu. — Te tocar é o meu vício.

Eren puxou o corpo dela mais para perto e os olhos de Mikasa se abriram um pouco mais em surpresa, não somente por estar mais próxima a ele, como também por sentir algo bem rígido logo abaixo.

Sim, me foda!

O olhar dela acompanhou a mão esquerda dele descer do seio e se mover lentamente pela barriga firme dela até chegar na parte mais molhada e quente. Mikasa suspirou pelo prazer antecipado. Amava ser tocada por ele, especialmente ali.

Eren moveu a mão numa carícia gentil e possessiva no ápice das coxas abertas dela enquanto ainda emoldurava um dos seios. Dois dedos dele deslizaram para dentro da carne macia e quente dela. Mikasa emitiu um gemido alto, quase um grito, enquanto se remexia contra ele.

Eren abaixou a cabeça e deu uma suave mordida no pescoço dela, lambendo em seguida. Mikasa continuou a suspirar, tremulante, pois já estava completamente excitada.

A esponja havia sido largada de lado, flutuando na água da banheira. O foco de Eren já não era mais lavar o corpo dela, seu propósito agora seria deixá-la suja com as marcas do prazer que ele proporcionaria a ambos. Ela também queria muito e ele sabia disso.

— Tocar em você aqui — Eren continuou a torturá-la com os movimentos incessantes e eróticos para dentro da maciez íntima do corpo dela. — é ainda mais prazeroso. Você gosta, não é?

Como seus olhos fechavam a todo momento por conta do êxtase, Mikasa sentiu seu corpo ser puxado ainda mais próximo ao tórax forte e definido dele. Abaixo dela, a rigidez do membro estava ainda mais evidente do que antes e ela pôde jurar que só faltavam ínfimos centímetros para ele entrar com tudo.

Isso aí. Me foda com tudo, por favor!

— Mas não faremos isso aqui — Eren disse de repente, surpreendendo-a.

Mikasa sentiu Eren retirar os dedos de dentro dela e lamentou profundamente por isso. Ela queria sentir mais dele, mesmo que a satisfizesse somente com os dedos.

Eren se remexia na banheira de um modo que pudesse estar cara a cara com ela.

— Não precisa fazer essa cara — Ele disse ao achar graça da visível expressão frustrada dela. — Você me terá, isso você pode ter certeza. Mas quero você em nossa cama.

Mikasa aproveitou o momento mais descontraído dele para ser um pouco mais ousada. Ela agarrou a extensão grossa do membro rígido enquanto olhava profundamente nos olhos verdes.

— Poderíamos fazer aqui. — Ela guiou lentamente o membro dele para bem perto de sua feminilidade. — Está tão perto...

Eren deu uma simples olhadela para baixo antes de tornar a olhar intensamente para ela.

— Você se esqueceu quem é que dá as ordens aqui?

Apesar da advertência, ele não parecia estar zangado ou irritado com a petulância dela. O par de olhos verdes brilhava de divertimento e provocação. Ele obviamente achava graça da condição dela, como sempre.

Mikasa abaixou a cabeça envergonhada pela repreensão, embora ela não parecesse nem um pouco arrependida. Um curto sorriso havia se formado no canto dos lábios carnudos dela.

— Perdoe-me, mestre.

Eren assentiu lentamente, pensando no quão linda ela ficava quando tentava provocá-lo ou quando estava prestes a desmaiar de prazer. Ele poderia pensar num castigo bem adequado à sua desobediente escrava.

Ele tocou abaixo do queixo dela e a fez olhar para ele.

— Pensarei bem a respeito se eu perdoo ou não o seu atrevimento. Agora venha — Eren a chamou, estendendo a mão para segurar, e ambos saíram juntos da banheira.

— Ainda com calor? — Eren indagou ao pegar uma toalha para ele e outra para ela.

— Apenas em uma parte específica — Mikasa respondeu, os olhos brilhando de malícia.

Eren não pôde conter o sorriso. Sua linda escrava estava ficando cada vez mais afiada com o passar do tempo.

Ele chegou bem próximo ao ouvido dela, pois sabia que ela se arrepiaria inteira. Por mais experiente que Mikasa pudesse estar atualmente, ela ainda não era imune ao seu toque.

— Isso não é nada — Eren sussurrou e sorriu ao ouvi-la gemer baixinho. — Eu vou fazer ela ficar mais.

Mikasa olhou bem nos olhos cintilantes dele quando Eren se afastou um pouco mais para retomar sua posição.

O seu amado parecia bem mais apático e bem-humorado naquele dia. Talvez ele quisesse que a relação dos dois pudesse tornar-se algo mais especial — pelo menos, naquele dia em específico? Ou talvez seria ela a sonhadora e iludida que começava a ter pensamentos otimistas demais ao vê-lo menos rude e frio como nos dias costumeiros? Talvez, muito provavelmente, poderia ser uma de suas ilusões, mas ela tentaria aproveitar a chance que tinha.

Ele estendeu sua mão para ela e Mikasa aceitou de muito bom grado, sendo guiada por ele na direção do quarto, embora ela implicasse silenciosamente para ser carregada no colo por ele. Talvez isso pudesse ocorrer mais tarde, antes dele possuir mais uma vez o seu corpo.

Eren adentrou o quarto, o ninho deles, e abriu espaço para que ela pudesse passar primeiro.

Talvez em outro dia ele a possuísse em outros cômodos além daquele quarto, Eren pensou. Por ora, ele queria apenas sentir os dois corpos suados sobre a cama quentinha; podia ser um ato simples e muito comum para os dois, mas nada em Mikasa o entediava.

Mikasa passou à frente e fitou o seu amado fechando a porta logo atrás, como se esperasse por uma ordem dele.

Ele a alcançou e acariciou as mechas curtas do cabelo dela.

— Hoje eu não estou com muita paciência para preliminares.

Mikasa piscou em surpresa.

— Está nervoso?

— Não — ele respondeu e esboçou um pequeno sorriso no canto dos lábios. — Apenas não quero esperar.

Mesmo que Eren quisesse partir para o que realmente importava, Mikasa sentiu seus desejos e necessidades serem saciados na banheira e acreditava que ele também sentia-se satisfeito. Mesmo nos dias de ínfima paciência por parte dele, até mesmo nos momentos de punição, Eren sempre fazia de tudo para que ela se sentisse saciada e desejosa por mais; o relacionamento deles jamais havia sido cru e amargo — não em questões sexuais.

Mikasa assentiu compreensiva e obediente.

Eren agarrou as pernas dela e a impulsionou acima do seu colo, pegando-a de surpresa.

— Prometo que será bom — Ele disse olhando atentamente para os olhos castanhos dela. — Para nós dois.

Por um breve instante, Mikasa sentiu seus olhos se encheram de lágrimas pelas palavras dele.

Ela sentia-se tão bem, tão segura e protegida quando ele parecia se importar com seus desejos e até mesmo seus sentimentos, embora a máscara de mestre continuasse agarrada ao rosto dele.

Mikasa se atreveu a acariciar o rosto belo mesmo sabendo que talvez seria repreendida pelo gesto repentino.

Ela amava todos os detalhes do rosto dele, desde as sobrancelhas relativamente grossas sobre os olhos verdes e cintilantes até a boca lindamente desenhada e carnuda que contrastava com a aparência mais adulta e rústica da barba ainda um pouco rasa que crescia. Tudo em Eren a fascinava e a fazia se apaixonar cada vez mais por ele, e Mikasa se admirava ao lembrar o quão parecidos pai e filho eram; o bebê deles também tinha alguns traços dela, como o formato dos olhos levemente puxados.

Os dedos dela correram pela face dele, pousando sobre os lábios parcialmente abertos. Eren a fitava atentamente sem oferecer qualquer relutância.

O filho deles se pareceria com Eren quando crescesse?, Mikasa pensou curiosa, embora advertisse a si mesma por pensar mais uma vez no bebê que eles abandonaram. Mas ela não podia se culpar por continuar pensando e se martirizando por uma questão tão complicada. Ela amava os dois com quase a mesma intensidade e não conseguia evitar imaginar como o seu filho seria quando crescesse, se ele ainda teria alguns traços dela, embora fosse muito mais parecido com o pai. O menino os odiaria pelo que eles fizeram?

Uma lágrima desceu pela face de Mikasa e ela não soube se o singelo gesto havia sido de alegria por se sentir tão especial por causa de Eren ou se seria de tristeza por saber que ter o seu amor e o seu bebê juntos como uma família ainda era e continuaria sendo um sonho muito improvável. Ao mesmo tempo em que ela se sentia bem, também se sentia tão mal por estar longe do filho, por saber que a criança chamaria pela mãe e ela não estaria lá para ele.

— O que houve? — Eren indagou com a voz suave, deixando transparecer um pouco de preocupação e afeto.

Mikasa mexeu a cabeça em gesto negativo numa tentativa de afirmar que estava tudo bem. Mas não adiantaria muito tentar fugir; Eren certamente cobraria uma resposta.

— Apenas tive alguns pensamentos — Mikasa respondeu. Pensamentos tristes e felizes ao mesmo tempo. É complicado. — Deu de ombros.

Eren a fitou atentamente, analisando cada detalhe da expressão do rosto dela.

Ou ele procurava por uma resposta convincente, ou já sabia qual era a resposta, mas parecia ignorar.

Eren carregou o corpo dela até a cama. Ele não teria objeções em transar com ela em qualquer outra parte do quarto, mas permanecer na posição de outrora estava sendo desconfortável.

Ele ajeitou o corpo de Mikasa sobre o seu colo, as pernas dela em torno de seu quadril. Ergueu uma mão e enxugou um resquício de lágrima que havia caído sobre a face dela. Ele não sabia o porquê, mas se sentia tão complacente e vulnerável naquele momento.

— Tem certeza de que não é nada? — Ele perguntou a ela.

Mikasa sentiu-se tão especial naquele instante. O seu amor parecia mais atencioso, mais preocupado em relação às emoções e desejos dela. Ela não sabia o que realmente o havia motivado a agir daquele modo, mas sentiu seu coração se encher de mais amor e confiança nele.

Ela fitou o verde dos olhos que brilhavam em expectativa.

— Pensei em nós, na nossa família — Mikasa murmurou timidamente em resposta. — No nosso bebê.

Os olhos e sobrancelhas de Eren se arquearam em surpresa e deixou sua mão escorregar um pouco, mas Mikasa a segurou mais firme sobre sua face. Ela queria sentir mais da pele dele além das bocas unidas e dos corpos suados se movendo em conjunto. Aquele era um contato mais íntimo entre ambos do que as incessantes e profundas penetrações dentro de seu corpo.

— Não, por favor — Mikasa suplicou suavemente, quase chorosa, acariciando as costas da mão dele que permanecia sobre sua face, segurado pelos dedos entrelaçados dela. — Por favor, não pense que eu estou exigindo algo ou pedindo o que você não pode me dar. Eu apenas pensei em nós três como uma família. Juntos.

Mikasa queria aproveitar o momento mais afável ente eles para poder contar ao Eren seus sonhos e desejos mais profundos e reprimidos, mas ela também sabia que não daria certo — não ainda; as expressões de surpresa e incômodo dele a obrigava a se conter e guardar a maior parte de seus sentimentos para si mesma. Seria melhor não abusar da situação.

— Me perdoe — Mikasa mais uma vez suplicou. Na verdade, mais parecia um pedido acanhado do que uma súplica, de fato.

— Olhe para mim — Eren ordenou.

Ele ergueu de modo gentil, mas firme, o queixo dela e fitou intensamente os olhos castanhos que pareciam expressar dois tipos diferentes de emoções ao mesmo tempo: desilusão e esperança.

Mesmo que ele tivesse castigado o seu corpo no passado, mesmo que ele a tivesse afastado de tudo e de todos, mesmo que ele a proibisse de sequer cogitar um futuro dos três como uma família, ela ainda tinha esperanças; nem sequer por um momento ela havia deixado aqueles incômodos pensamentos de lado.

Inferno, ele nem mesmo pensou na possibilidade de ser pai ou de dividi-la com outra pessoa que não fosse ele! Se ao menos eles não tivessem se descuidado, se ao menos ele tivesse mais conhecimento de "como se livrar de um problema", aquele assunto semi-oculto e inoportuno não continuaria a assombrar a relação deles.

Eren não estava preparado para se aceitar como pai e enfrentar seus maiores problemas. Jamais estaria.

— Eu não posso te dar o que você quer — Ele disse de modo quase suave, porém firme, ao olhar atentamente para a linda mulher que mantinha sobre seu colo. — Somente posso oferecer o que temos agora, o que gostamos e o que necessitamos que é a nossa relação intensa e puramente carnal.

Mikasa queria assentir e mostrar para ele que ela compreendia perfeitamente, mas não conseguiu. Em vez disso, seus olhos decaíram em lamento pelo que já esperava ouvir. Os dedos dele ainda seguravam o seu queixo, mantendo-a firme no lugar.

Ao dizer tais palavras, os olhos verdes dele se fixaram nos lábios carnudos fechados de Mikasa.

Ele queria tanto esmagar aquela boca rosada com a sua, fazê-la gemer e gritar o quanto pudesse até ficar rouca enquanto ele afundasse cada vez mais dentro dela. Parecia até loucura pensar que havia esperado tanto até conseguir tê-la inteiramente como sua, mas agora lá estavam eles dois, juntos e desejando um ao outro, sem ninguém para interferir. Literalmente ninguém.

— Mas talvez eu possa realizar um desejo seu hoje — Eren murmurou com a voz rouca e desejosa, deixando aproximar seu rosto do dela. — O que você quiser.

As respirações de ambos entraram em conjunto e os olhos castanhos se fixaram no rosto belo num misto de surpresa e expectativa.

— Qualquer coisa?

Eren sentiu-se inseguro e vacilante por um breve instante antes de responder. Estaria ele pisando em terra firme e segura? Afinal, por que ele havia mostrado tanto interesse em querer agradá-la de uns tempos para cá? Eram perguntas que ele ainda não sabia como responder.

— O que estiver ao meu alcance — "e que inclua somente a nós dois", ele quis acrescentar.

Os lábios macios e rosados dela se entreabriram para o deleite dele, e Mikasa cuidadosamente deixou alcançar o rosto do seu amor.

Eren sempre parecia ainda mais belo com as mechas longas caindo sobre o rosto, mostrando uma face mais de homem e de menino ao mesmo tempo — o homem-menino que era só dela, que necessitava dela quase tanto quanto ela necessitava dele, o homem-menino que abriria mão da fachada de mestre frio e inacessível para realizar um dos maiores desejos dela.

Estaria ele disposto a tentar ou seria somente uma experiência daquele dia em específico? Mikasa não sabia e nem adiantaria saber agora. Ela apenas agarraria essa chance e aproveitaria o melhor do momento dos dois.

— Me ame — Mikasa pediu com sua voz murmurada e insegura.

O cenho de Eren franziu ao ouvir o pedido dela. Que ele não estranhasse ou achasse ruim, ela suplicou em pensamento.

— Eu só queria que pudéssemos ser como antes, poder te chamar pelo nome sem ser punida por isso e te dizer quantas vezes for preciso o quanto eu te amo. — Uma outra lágrima caiu. — Te ouvir dizer que me ama.

Eren a fitou com o olhar confuso.

"Me ame"? Será que ela não sabia? Não, talvez não. Eren jamais havia deixado transparecer seus reais sentimentos desde quando ele havia iniciado aquela relação com ela e isolado os dois de tudo e de todos — pelo menos, era o que ele pretendia e achava.

Quando ele tivera noção de seus verdadeiros sentimentos por ela? A resposta era desde que a viu pela primeira vez.

Ver aquela doce e traumatizada menina logo após tê-la salvado das garras dos malditos escravagistas havia mexido com ele de uma forma como nunca antes — não somente porque sentiu-se responsável por ela após ter-lhe salvado a vida, mas porque sabia, bem no fundo de seu coração, que já a havia visto antes e havia feito a mesma coisa por ela, talvez em alguma outra vida, por mais louco que tal pensamento pudesse parecer.

Então havia demorado bastante tempo até ele perceber seus reais sentimentos por ela que outrora estavam ocultos em seu peito aguardando desesperadamente para serem postos para fora, para serem ditos a ela. Contudo, muitas coisas haviam mudado com o passar do tempo e ele também mudou. Com isso, Eren decidiu finalmente demonstrar o quanto a queria, o quão viciado era no corpo dela, mas sem dizer a verdade, sem abrir seu coração para ela. Em vez disso, ele havia encontrado o seu lugar como dominante daquela relação e passou a ocupar esse lugar desde então.

— "Amor"? — Eren a interrogou, pensando com cuidado no que diria. — "Amor" é apenas uma palavra mais bonita que as pessoas normais dão para sentimentos e emoções mais avassaladoras. Nós não somos normais, Mikasa, nem você e nem eu. Nós deixamos de ser pessoas normais desde que eu salvei a sua vida na cabana e, juntos, tiramos as vidas daqueles malditos homens. Você passou a ser outra pessoa e eu também e, desde então, passamos a dedicar intensamente a vida um pelo outro.

Era verdade, Mikasa pensou. Desde o traumático incidente em sua vida, tudo nela havia mudado. E talvez em Eren também.

— Agora temos o que sempre queríamos ter e de forma ainda mais intensa e profunda — Ele continuou. — Não precisamos agir como o resto das pessoas, minha linda, pois o que temos elas não imaginariam ter nem mesmo em seus mais fantasiosos sonhos.

"Minha linda", Mikasa repetiu essas palavras como um mantra em seus pensamentos e sorriu.

Havia se passado tanto tempo desde que Eren a elogiou e a apelidou carinhosamente pela primeira vez quando eles eram adolescentes, antes dele mudar quase que completamente deixando para trás uma grande parte do Eren que ela havia conhecido. Mas essa drástica mudança não mais a incomodava ou temia. Mudanças faziam parte da vida e pequenos atos como aquele mostravam que o velho Eren, o Eren que tinha fortes sentimentos por ela, ainda estava ali.

Ela assentiu quase lentamente quando nem mesmo conseguia ocultar o sorriso do rosto.

— No entanto, eu realmente pretendo fazer o que você quiser por hoje — Eren disse ao erguer o corpo dela e encaixar a entrada da intimidade dela sobre o membro completamente rígido. Mikasa emitiu um leve gemido em antecipação. — E se isso inclui te dizer que te amo, eu o farei.

Dois lados falavam alto na mente de Mikasa; a parte contente pelo amor de sua vida querer agradá-la, e a outra parte mais alerta, ou até mesmo desapontada, por saber que todo aquele encanto começaria e também terminaria naquele mesmo dia. Talvez naquele momento não importasse tanto a parte mais racional, então ela abraçou a pequena chance que tinha e prometeu a si mesma que aproveitaria todo o momento sem qualquer receio, sem qualquer reserva.

Mikasa enlaçou os braços ao redor do pescoço do seu amor deixando-se afundar mais para baixo em direção à ponta macia e rígida do membro dele. Ela quase gritou de tesão ao senti-lo inteiramente dentro de si.

Me fode! Não. Faça amor comigo.

— Então me ame — Mikasa pediu num murmúrio movendo-se em círculos e gemendo excitada. — Me ame de corpo e alma.

Eren tocou os lábios macios e carnudos dela. Eles pareciam secos, talvez precisassem de um beijo bem molhado. E foi o que ele fez.

As bocas sedentas se grudaram num misto de calma e desespero temperando o beijo apaixonado. Eren inclinou-se para trás e a levou lentamente consigo não abandonando os lábios dela por nenhum instante enquanto acariciava-lhe as costas nuas. Mikasa continuou a rebolar em círculos sobre sua grossa masculinidade deixando-o cada vez mais enlouquecido. Teve de quebrar o beijo pois aquela deliciosa provocação estava sendo mais forte que ele.

Eren endireitou as pernas sobre a cama e cravou as unhas curtas entre o quadril e as pernas dela deslizando num delicioso sobe e desce.

— Eu sei que você está esperando pelo próximo comando — Ele disse ao fitá-la com os olhos em brasa. — Mas hoje quem tomará as rédeas será você.

Mikasa esboçou um pequeno sorriso em surpresa e descrença.

— Mesmo? — Ela indagou surpresa ao notar o quão diferente Eren parecia estar de alguns minutos atrás.

Eren assentiu com os olhos brilhando de confiança e malícia.

Sim, ele parecia diferente. E faria aquilo por ela.

Mikasa esboçou outro sorriso confiante e sentiu-se renovada naquele momento.

— Tudo bem — Ela sussurrou antes de abaixar-se um pouco mais e tocar as suas mãos no peitoral dele, iniciando o delicioso movimento de sobe e desce pela haste firme e grossa.

Os dois relaxaram e iniciaram um ritmo profundo e gostoso para ambos, sem força e sem pressa. Mikasa, embora estivesse hesitante e acanhada por estar por cima e ser observada pelo olhar intenso e abrasador dele, sentia-se mais bela e contente por saber que ele confiava nela, que realizaria seus desejos nem que fosse por um dia.

Eren observava intensamente toda ela, desde os olhos semicerrados pelo prazer até a feminilidade molhada e pulsante que se abria e fechava mais em torno de seu membro excitado. Ela ficava tão linda estando por cima, como se fosse um presente dos céus vindo direto para ele. E realmente ela era um presente; a menina-mulher que o havia mudado e virado sua vida de cabeça para baixo desde os nove anos de idade.

Os seios e a barriga dela pareciam tão molhados por causa do suor, mais até do que o corpo dele. Eren podia passar o dia inteiro saboreando a água quente que saía do corpo dela, mas não quis se apressar. Por coincidência, ou por qualquer motivo que fosse, nem ele e nem Mikasa sentiam pressa de partir para outras posições e velocidades do sexo; o ritmo que mantinham era delicioso o bastante para se sentirem ansiosos por mais, pois sabiam que teriam mais.

Eren agarrou as nádegas de Mikasa e a puxou para mais perto, incentivando-a se mexer mais profundamente para o prazer dos dois. Mikasa gemeu alto e suspirou excitada. Embora ambos não quisessem acelerar as coisas, ela aprofundou o movimento, intensificando ainda mais a penetração.

Seu corpo mexia num sobe e desce, num entra e sai, num vai e vem para frente e para trás enquanto ela gemia mais e mais com o prazer que sentia. Ser observada por ele com o par de olhos verdes irradiando satisfação e lascívia, ouvir as palavras de incentivo temperadas com pura sacanagem, ser guiada por ele a aprofundar ainda mais os movimentos a enchia de mais tesão e a motivava a dar e querer por mais, embora seu corpo tremesse e suplicasse para ser dominado por ele. Contudo, aquele não era o momento para dominação e submissão, apenas para saborear os corpos um do outro e terem seus sentimentos correspondidos, nem que fosse por um único dia.

O ritmo dos movimentos foi se desgastando cada vez mais e Eren percebeu, erguendo-se um pouco mais de imediato para ajudá-la naquela tarefa que já parecia ser uma tortura. Era de praxe as mulheres não conseguirem manter a posição de dominação por muito tempo e logo implorarem alto ou silenciosamente para que os homens tomassem o controle da situação. Algo relacionado a natureza, talvez?

Mikasa conseguiu controlar um pouco mais seus movimentos com a ajuda dele, embora estivesse quase suplicando para que aquilo terminasse logo, pois sentia que logo iria gozar. Eren quis manter um pouco mais os movimentos e aproveitar mais daquele momento com ela, rostos quase colados, respirações em conjunto, lábios se tocando de vez em quando em provocação enquanto ela agarrava em torno de seu pescoço trazendo-o mais para perto, fazendo os peitos dos dois se encostarem e deslizaram por causa do suor. Entretanto, como o tesão que ambos sentiam já beirava além do absurdo, o momento terminou mais rápido do que ambos queriam e juntos eles gozaram de modo silencioso e escandaloso ao mesmo tempo; a respiração pesada e os curtos gemidos de Mikasa em conjunto com a respiração fraca e o quase rosnar que atravessava a garganta de Eren.

Por fim, as respirações de ambos se acalmaram e Eren foi o primeiro a se mover. Um de seus braços ainda envolvia o corpo feminino e delgado, mantendo-o bem aproximado do seu. A intensidade da respiração dela parecia mais forte que a dele, embora estivesse se acalmando aos poucos, e os olhos castanhos ainda se mantinham ocultos pelas pálpebras cerradas.

Eren observou atentamente cada detalhe do rosto dela e inspirou cada sinal fraco da respiração forte que ela emitiu antes. Ergueu a outra mão e acariciou a face dela antes de erguer delicadamente o queixo para que ela olhasse em seus olhos.

— Você é linda — Ele sussurrou apaixonado quando ela o fitou com os olhos semicerrados.

Não era bem aquilo que ele queria dizer, mas realmente sentiu uma vontade enorme de dizer-lhe o quanto ela era linda e especial; talvez aquela vontade viesse de muito tempo atrás, desde quando a conheceu pela primeira vez.

— Você é incrível, Mikasa — A forma como ele lhe dizia tais palavras expressava todo o seu sentimento. — Uma mulher muito especial.

Mikasa sentiu mais uma vez os seus olhos se encheram de lágrimas, sorrindo acanhada e contente ao mesmo tempo. Estendeu uma mão e tocou na face lisa e um pouco suada do homem que ela mais amava no mundo.

— Obrigada — Ela sussurrou de volta ao apreciar apaixonada cada detalhe do rosto dele, inclusive a pequena barba que crescia e fazia cócegas na palma de sua mão.

Ela não concluiria aquele agradecimento com a nomenclatura "mestre" sendo dita no final, pois aquele momento, aquele dia, seria dedicado para eles serem apenas eles mesmos, o Eren e a Mikasa de outrora, de verdade.

Eren agarrou ainda mais forte a cintura dela, trazendo mais o rosto e corpo dela para si. Como um viajante errante num deserto de areia, tomou a boca dela com a sua e se saciou de modo satisfeito daquela água abundante. Mikasa aproveitou para acariciar a parte de cima dos fios sedosos enquanto sua língua dançava com a dele, sentindo as mãos masculinas deslizarem por suas costas, quadris, nádegas e pernas.

Se por algum dia Eren teve dúvidas em relação aos seus verdadeiros sentimentos por ela, naquele momento ele não teve mais.

O corpo masculino ergueu o corpo feminino, deitou-o novamente sobre a cama, engatinhando de modo matemático como um predador marcando sua presa. Mikasa deixou-se relaxar e estar mais à vontade abrindo as pernas no aguardo pelo que viria a seguir. Era óbvio que ele iria querer mais e ela também queria mais, desesperadamente.

Eren deliciou-se ao notar que ela já estava mais do que pronta para recebê-lo novamente e agarrou o seu membro ainda completamente firme guiando até a entrada úmida e ansiosa por ele. O braço forte se abaixou um pouco mais fazendo os dois rostos estarem a poucos centímetros de distância. Antes de finalmente fazer o queria há muito tempo, e que somente há pouco tempo havia percebido, os olhos dele fitaram os lábios entreabertos dela e depois sorriu.

— Eu te amo — Eren murmurou sincero notando com satisfação cada ponto de surpresa e felicidade nos traços do rosto dela.

A surpresa não tinha sido somente por conta das palavras dele pois no fundo ela já sabia, mas porque Mikasa não imaginou que Eren poderia lhe dizer tais palavras naquele exato momento — somente em seus mais lindos sonhos. Finalmente, ele havia se declarado.

Talvez nem tudo fosse resolvido ainda, talvez demorasse bastante tempo até Eren aceitar a si mesmo como pai, como o homem que era antes de passar por tantos traumas. Decerto, muitas coisas haviam mudado desde então, para pior ou melhor, e Mikasa apenas deixaria o tempo correr como devia e as boas mudanças virem aos poucos.

Mikasa enlaçou seus braços em torno do pescoço dele e sorriu tão deslumbrante como nunca antes em sua vida, a felicidade e o amor inundando o seu coração. Aquele, certamente, era o dia mais feliz de sua vida.

Mais uma lágrima caiu no canto de sua face antes dela corresponder seus sentimentos a ele.

— Eu também te amo, Eren.


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