A little secret - conto 3

 

Um conto Eremika 

"𝓜đ“Č𝓮đ“Șđ“Œđ“Ș đ“”đ“žđ“žđ“Žđ“źđ“­ đ“Żđ“»đ“žđ“¶ đ“”đ“»đ“źđ“· đ“œđ“ž đ“œđ“±đ“ź đ“«đ“Șđ“«đ”‚. 𝓜đ“Șđ”‚đ“«đ“ź đ“±đ“Čđ“Œ đ“°đ“Ÿđ“Șđ“»đ“­ đ”€đ“žđ“Ÿđ“”đ“­ đ“”đ“žđ”€đ“źđ“» đ“Ș đ“”đ“Čđ“œđ“œđ“”đ“ź đ”€đ“±đ“źđ“· đ“”đ“žđ“žđ“Žđ“Čđ“·đ“° đ“Șđ“œ đ“œđ“±đ“Șđ“œ đ“«đ“Șđ“«đ”‚? 𝓜đ“Șđ”‚đ“«đ“ź đ“±đ“ź 𝔀đ“Șđ“Œ đ“źđ“·đ“Źđ“±đ“Șđ“·đ“œđ“źđ“­ đ“«đ”‚ đ“œđ“±đ“Șđ“œ đ“Źđ“±đ“Čđ“”đ“­ đ”€đ“±đ“ž đ“±đ“Ș𝓭 đ“źđ”‚đ“źđ“Œ đ“Œđ“ž đ“”đ“Č𝓮𝓼 đ“±đ“Čđ“Œ?"




A jovem mulher pĂŽs o recipiente de volta no armĂĄrio da cozinha. Os seus afazeres agora estavam mais fĂĄceis, pois o bebĂȘ agora se encontrava numa deliciosa soneca.

NĂŁo era muito fĂĄcil fazĂȘ-lo dormir, ainda mais pelo desgosto da criança pelo leite industrializado, jĂĄ que o leite materno nunca durava muito. A Ășnica saĂ­da que a jovem mulher tinha em acalmar o inquieto bebĂȘ era cantar mĂșsicas de ninar tarde da noite para fazĂȘ-lo dormir apĂłs um dia tĂŁo cansativo.

Ela atravessou a cozinha e observou apaixonada o pequeno e frĂĄgil bebĂȘ dormindo profundamente numa cadeira de descanso sobre o tapete da sala de estar. Ela agachou-se perto e acariciou o rosto da criança.

NĂŁo que ela achasse ruim cuidar de quem mais enchia a sua vida de alegria — pelo contrĂĄrio —, aquela criança era pura e inocente demais em meio a um mar de pessoas loucas e que sĂł pensavam em si mesmas. Ela era a Ășnica pessoa que podia cuidar dele, a Ășnica com quem ele contaria no futuro, e ela jĂĄ nĂŁo mais conseguia se imaginar sem aquele menino.

Ela não era a mãe biológica dele, de fato, mas o afeto e o senso de proteção que ela sentia pelo menino ía muito além da relação sanguínea. A pobre criança havia sido praticamente abandonada pela mãe que só aparecia em casa raras vezes para providenciar o leite materno e para deixar ou pegar parte de seus pertences, e o pai era como se não existisse. Dois jovens irresponsåveis que somente se importavam com a relação doentia que tinham ao invés do próprio filho.

Ela nunca teve os seus prĂłprios filhos, quiçå um relacionamento amoroso com alguĂ©m durante todo aquele perĂ­odo, pois estava presa ao papel materno — papel esse que nĂŁo era dela, mas o que ela faria? NĂŁo poderia abandonar um bebĂȘ indefeso e deixĂĄ-lo sob os cuidados das autoridades, pois os pais biolĂłgicos pareciam nunca amadurecer e ter o menor senso de responsabilidade. A mĂŁe era uma boa pessoa, mas deixava-se ser influenciada pelo "amor" que sentia pelo pai, que nao valia um centavo. Infelizmente, aquilo se seguiria por muito tempo.

Pensar naqueles dois era perda de tempo e motivo de muito aborrecimento, entĂŁo ela deixaria aqueles pensamentos de lado e se dedicaria a cuidar e amar aquele precioso bebĂȘ que nada tinha culpa. Ele nĂŁo poderia viver sem ela, e nem ela sem ele.

Ela tomou um raso suspiro e tornou a se levantar para fazer os outros afazeres de casa, jå que o bebezinho estava dormindo e não poderia tirar muito do seu tempo. Contudo, um leve clique na porta na direção oposta chamou a sua atenção.

A porta se abriu e lå estava ela: tão bonita, mas com o brilho no olhar tão apagado como das outras vezes. Também, não era para menos, pois viver com aquele sujeito devia ser um inferno. Contudo, infelizmente, ela havia escolhido aquele inferno e, por mais incrível que pudesse ser, ela parecia gostar daquilo.

— OlĂĄ, Sasha — Mikasa cumprimentou a amiga e pĂŽs a bolsa pendurada no mancebo.

— Ah, olĂĄ — Sasha respondeu o cumprimento sem muita vontade. — O que veio fazer aqui?

— Aqui Ă© a minha casa tambĂ©m, Sasha — Mikasa respondeu de modo paciente.

— VocĂȘ passa tanto tempo naquela cabana, que eu acabo esquecendo na maioria das vezes — Sasha disse. — Veio deixar algumas de suas coisas e pegar outras?

— Exatamente — Mikasa respondeu e olhou rapidamente para trĂĄs, fechando a porta da sala.

— Imaginei. — Sasha assentiu. — AliĂĄs, como sempre.

Mikasa suspirou profundamente.

— Sasha, por favor, eu nĂŁo quero brigar.

— Nem eu — Sasha repetiu, embora o seu humor nĂŁo estivesse muito bom. — AliĂĄs, vocĂȘ falou com o seu filho?

Mikasa abriu o fecho central da sua bolsa que estava pendurada no mancebo.

— Ele estĂĄ dormindo — Mikasa respondeu de imediato, a sua atenção voltada somente para o objeto.

Sasha fitou o bebĂȘ na cadeira de descanso e notou que ele estava acordado, olhando curioso para as duas, principalmente para a mulher que lhe dera a vida.

— Eu acho que nĂŁo — Sasha contrapĂŽs um tanto desanimada, pois sabia que teria um longo dia pela frente, o que chamou a atenção de Mikasa para o bebĂȘ.

— OlĂĄ — Mikasa disse suavemente, segurando alguns pertences em mĂŁos, e esboçou um pequeno sorriso.

Sasha nĂŁo iria confrontĂĄ-la e exigir aquilo que Mikasa nĂŁo podia oferecer. Ela jĂĄ estava mais do que acostumada.

Sasha tomou um suspiro profundo e retirou-se da sala, passando para a cozinha aberta.

— Bem, faça como quiser. Vou preparar a papinha do bebĂȘ — Sasha disse e concentrou-se em ajeitar algumas coisas na cozinha, numa tentativa de se distrair e nĂŁo perder tempo com a melhor amiga cabeça-dura.

Com uma råpida olhadela na direção da sala, Sasha se surpreendeu ao notar que Mikasa continuava a olhar para o filho, os olhos tão tristes e demonstrando a culpa que sentia.

Sasha suspirou derrotada.

Ela amava a amiga, mas não podia fingir que estava tudo bem depois de Mikasa ter praticamente abandonado o próprio filho por causa de um homem insensível que não lhe dava o mínimo valor. Ela mesma havia procurado por aquilo por estar aprisionada a um sentimento egoísta que ela jurava que era amor e, infelizmente, a criança era a mais afetada por tudo aquilo.

A ĂĄgua transbordou da panela e Sasha procurou se concentrar.,  rapidamente fechando a torneira. Ela colocou a metade da ĂĄgua em outro recipiente e pĂŽs a panela no fogo.

— O leite do bebĂȘ jĂĄ acabou — Sasha comentou ao olhar na direção da sala, mas deu-se conta de que Mikasa nĂŁo estava mais lĂĄ. Como a bolsa ainda estava pendurada no mancebo, ela nĂŁo havia ido embora.

Sasha abaixou o fogo e tampou a panela pela metade. Cruzou o amplo espaço da cozinha para a sala e agachou-se para brincar com o bebĂȘ na cadeira de descanso. Embora a criança estivesse acordada, a sua sonolĂȘncia era perceptĂ­vel.

— Daqui a pouco vocĂȘ terĂĄ a sua papinha — Sasha disse brincando com a bochecha do bebĂȘ, que sorriu.

Sasha fitou o corredor e se levantou.

Ela nĂŁo devia deixar o bebĂȘ sozinho, nem mesmo queria se aborrecer por conta do mesmo motivo de sempre, mas precisava falar com Mikasa. NĂŁo poderia deixar para depois, ainda porque ela nĂŁo sabia quando a melhor amiga irresponsĂĄvel voltaria para casa — isso se aquele imbecil permitisse.

Sasha tomou uma respiração profunda e foi fazer o que precisava.



No quarto, Mikasa cantarolava baixinho enquanto escolhia algumas peças de roupas e roupas íntimas para vestir na cabana, embora Eren sempre a preferisse totalmente nua.

Ela sorriu.

Por mais pesados que os jogos dele fossem, ela gostava daquilo e gostava de estar com ele. Mikasa nĂŁo poderia se ver sem Eren, nunca.

Ela pegou mais uma peça de roupa, bem Ă­ntima; uma camisola vermelha semitransparente com detalhes na cor preta adornando os bojos e as alças. Eren gostaria de vĂȘ-la vestida naquilo, exceto pela parte do busto, que faria os seios ficarem ocultos ao seu olhar selvagem. Mikasa jĂĄ podia imaginar Eren puxando com força a parte de cima para que pudesse ver, tocar e abocanhar os bicos de seus seios com aquele mesmo modo rude e agressivo de sempre.

Mikasa sorriu mais uma vez com o pensamento e suspirou excitada ao imaginar o que poderia acontecer naquela noite na cabana.

Ela pĂŽs no canto da cama a Ășltima peça de roupa que precisava e fechou as portas do guarda-roupa. Em seguida, logo abaixo, abriu a primeira gaveta onde ficavam guardadas muitas bijuterias que recebera dos amigos, tambĂ©m outras que ela havia comprado, e poucas jĂłias valiosas que ela havia recebido de presente do seu mestre.

Eren...

Mikasa perdeu-se em pensamentos ao erguer um enorme e elegante colar de duas voltas banhado em ouro amarelo e com um pequeno pingente em forma de duas espadas atravessadas cravejado em rubis e esmeraldas; o verde dos olhos dele e vermelho do cachecol que ele lhe dera de presente quando ainda eram crianças.

Ela podia se lembrar, talvez nĂŁo nitidamente, do dia em que ele havia tirado uma foto sua usando apenas aquele lindo colar, com as pontas do brilhante pingente tocando na barriga enorme pelo estado avançado da gravidez, faltando apenas um mĂȘs para ela dar a luz. Aquele dia foi um dos raros momentos em que Eren havia sido tĂŁo cuidadoso, embora a raiva dele pela gravidez indesejada ainda fosse visĂ­vel. Eren havia renegado o prĂłprio filho, sangue de seu sangue, e Mikasa havia sido obrigada a fazer o mesmo.

O sorriso dela esmoreceu enquanto as suas mĂŁos abaixavam o belo colar.

Foi somente ela fitar aqueles belos olhos que se pareciam tanto com os olhos do homem que amava, que Mikasa pĂŽde sentir parte de suas forças ser tirada e o imenso sentimento de culpa transbordar de dentro de si. Aquele precioso bebĂȘ era tĂŁo especial e nĂŁo merecia ter sido abandonado por seus dois progenitores, mas Mikasa nĂŁo tinha outra escolha.

Ela tomou uma respiração profunda, tentando manter a cabeça no lugar, e pÎs o colar de volta na gaveta, pegando outras duas gargantilhas no lugar.

— Mikasa, precisamos conversar.

Mikasa ergueu a cabeça e notou que Sasha estava parada na soleira da porta. Ela engoliu em seco com certo desgosto, pois jå sabia do que se tratava aquela incÎmoda "conversa", e fechou de modo abrupto a gaveta do guarda-roupa, levantando-se logo em seguida.

— O que vocĂȘ quer? — Mikasa perguntou com mais rispidez do que pretendia, ainda sem olhar para Sasha.

— O leite do bebĂȘ acabou — Sasha respondeu apĂłs um momento. — VocĂȘ tem de repĂŽr.

Mikasa olhou de soslaio para Sasha enquanto organizava os poucos pertences que havia escolhido.

— VocĂȘ fala como se eu fosse obrigada — Mikasa resmungou mais para si mesma.

As sobrancelhas de Sasha arquearam-se em surpresa. Pelo visto, a amiga havia perdido a total noção das coisas.

— VocĂȘ Ă© a mĂŁe — Sasha disse de modo bastante Ăłbvio. — Como os seus seios vazam por nĂŁo amamentar o menino, o correto seria armazenar o leite para ele, nĂŁo acha?

— Sim, mas os meus seios nĂŁo estĂŁo vazando no momento. — Mikasa pegou os seus pertences. — AlĂ©m disso, o bebĂȘ tambĂ©m tem o leite artificial, entĂŁo ele nĂŁo morrerĂĄ de fome. Me dĂȘ licença, por favor.

Sasha a fitou com indignação. Ela sabia que Mikasa era uma mãe totalmente irresponsåvel por causa de um homem asqueroso, mas nunca havia pensado que ela seria tão fria e indiferente em relação ao próprio filho.

— Eu nĂŁo acredito que vocĂȘ estĂĄ dizendo isso. — Sasha meneou a cabeça em descrença. — Meu Deus, Mikasa, como vocĂȘ ficou assim?

— Sasha, vocĂȘ estĂĄ no meio do caminho — Mikasa disse com pouca paciĂȘncia, tentando ignorar a amiga o mĂĄximo possĂ­vel.

— Como vocĂȘ ficou assim? — Sasha repetiu ainda indignada, olhando diretamente nos olhos castanhos e brilhantes de Mikasa. — VocĂȘ nĂŁo era desse jeito antes de ir morar com o Eren naquela cabana isolada.

Mikasa suspirou profundamente, cansada daquele mesmo assunto de sempre. NĂŁo importava o dia ou a hora, Sasha sempre arranjaria uma desculpa para criar confusĂŁo.

— Se a sua preocupação Ă© por eu estar "fria", vocĂȘ jĂĄ deveria saber que eu sempre fui assim.

— NĂŁo, Mikasa. VocĂȘ sempre foi reservada, sim, mas tambĂ©m meiga e companheira — Sasha contrapĂŽs. — SĂł foi o Eren te levar para aquele fim de mundo que vocĂȘ ficou ainda mais fechada do que jĂĄ era antes, deixando de se importar com os seus amigos ou com qualquer outra coisa que nĂŁo fosse ele.

Mikasa nem mesmo parecia se abalar. Mas nĂŁo importava, pois Sasha continuaria.

— Eu percebi na Ă©poca, Mikasa. Para um cara que mal parecia notar a sua presença, Eren se tornou um manĂ­aco obsessivo que nĂŁo suportava ver vocĂȘ com mais ninguĂ©m. E piorou por causa de Jean.

A expressĂŁo inabalĂĄvel e cansada de Mikasa havia mudado para surpresa e confusĂŁo.

— SĂł foi o Eren perceber que vocĂȘ e Jean estavam mais prĂłximos, que um pouco tempo depois vocĂȘ e ele desapareceram, deixando todos preocupados. SĂł algum tempo depois que Armin me contou que ele havia levado vocĂȘ para uma cabana isolada no meio de uma floresta, escondida de tudo e de todos.

Mikasa desviou o olhar. Ela nĂŁo queria encarar Sasha naquele momento.

— Eu estou aqui, nĂŁo estou?

— Sim, vocĂȘ estĂĄ — Sasha respondeu. — Mas eu me pergunto: se o seu filho nĂŁo estivesse aqui, vocĂȘ viria?

Mikasa permaneceu em silĂȘncio.

— Tudo bem, eu vou reformular a pergunta — Sasha continuou. — Se o seu filho nĂŁo estivesse aqui, Eren permitiria que vocĂȘ viesse?

Mikasa a fitou seriamente.

— O Eren nĂŁo Ă© nenhum monstro, Sasha.

— O Eren nĂŁo era nenhum monstro, mas ele se tornou um.

— VocĂȘ estĂĄ errada! — Mikasa rebateu num tom de voz um pouco mais alterado. A sua raiva era palpĂĄvel.

— NĂŁo, eu nĂŁo estou e vocĂȘ sabe disso — Sasha disse de modo firme. — O Eren nĂŁo te respeita, aprisiona vocĂȘ naquela cabana, nĂŁo se importa com o prĂłprio filho e impede vocĂȘ tambĂ©m de estar com a criança. Se esqueceu dos amigos que tinha e exige que vocĂȘ faça o mesmo. E o pior de tudo: te deu uma surra quando soube que vocĂȘ estava grĂĄvida.

Aquilo jĂĄ era demais. Mikasa nĂŁo permaneceria ali, ouvindo todas aquelas porcarias vindas da pessoa que algum dia havia sido a sua melhor amiga, mas que agora sĂł sabia lhe julgar e apontar os fantasmas do passado.

— Eu nĂŁo tenho mais nada para ouvir de vocĂȘ. — Mikasa nĂŁo pensou duas vezes e passou pela porta, empurrando o corpo de Sasha do caminho.

— Vai dizer que Ă© mentira, Mikasa? — Sasha a seguiu pelo corredor. — VocĂȘ mesma me mostrou os hematomas!

— Eu nĂŁo mostrei, vocĂȘ Ă© que deduziu rĂĄpido demais — Mikasa gritou de volta, andando depressa na frente numa tentativa de ignorĂĄ-la, mas era em vĂŁo.

— NĂŁo foi dedução, e vocĂȘ sabe disso! — Sasha gritou e seguiu Mikasa atĂ© a sala. — Eu vi, Mikasa. Todas as partes do seu corpo, exceto a cabeça e a barriga estavam marcadas, com muitos hematomas, atĂ© mesmo ao ponto de eu ter ouvido vocĂȘ chorar por conta da dor enquanto tomava banho.

Mikasa a encarou de soslaio, com os olhos em brasa, mas fixou a sua atenção em guardar os seus pertences.

— NĂŁo foi por conta da dor, mas por desespero em saber que eu estava esperando uma criança — Mikasa disse de modo brusco. — Mas eu vou deixar vocĂȘ falar sozinha. Acredito que vocĂȘ saiba das coisas muito melhor que eu.

TambĂ©m havia sido por conta da dor, Mikasa lembrou-se em silĂȘncio. Para ser exato, havia sido principalmente por conta da dor, pois uma pequena parte sua sentiu-se feliz por carregar no ventre um pequeno pedaço de Eren. Sim, havia sido principalmente por conta da dor fĂ­sica e emocional, pois embora ela jĂĄ estivesse acostumada com os modos bruscos de Eren, ele jamais havia sido tĂŁo cruel como daquela vez.

Mas era Ăłbvio que Mikasa nĂŁo daria razĂŁo para Sasha. Ela a atormentaria ainda mais.

— Por quĂȘ? — Sasha perguntou apĂłs um breve silĂȘncio. — Por que o defende tanto?

Mikasa apenas a fitou com os olhos ainda em brasa e continuou a arrumar as suas coisas.

Sasha suspirou profundamente, derrotada. Ela sabia que aquela discussĂŁo nĂŁo iria a lugar algum. Mikasa estava completamente cega, ao ponto de escolher um monstro como Eren e abandonar o prĂłprio filho por causa dele.

Sasha deu a volta pelo balcĂŁo atĂ© a cozinha e notou surpresa que a maior parte da ĂĄgua havia evaporado e o pouco que restara estava com cheiro de queimado. Ela desligou o fogo rapidamente e olhou na direção do bebĂȘ; ele ainda estava acordado e brincando com os pequeninos brinquedos que ficavam pendurados na parte de cima da cadeirinha de descanso. Pobre criança, devia estar com fome.

Sasha olhou na direção de Mikasa. Ela nĂŁo pensava no bebĂȘ ou em qualquer outra coisa ou pessoa que nĂŁo fosse o seu dono, ou seja lĂĄ o que ele fosse para ela. Em todo esse tempo, desde que a conhecera, Sasha jamais pensou que sentiria tanta raiva da melhor amiga.

Sasha tentou ao mĂĄximo deixar a sua raiva de lado e concentrou-se em colocar mais ĂĄgua na panela para ferver. Ela faria a papinha do bebĂȘ, mesmo com o leite artificial. Ela nĂŁo havia dependido de Mikasa durante todo aquele tempo, e nĂŁo seria agora que dependeria dela. Mas seria bem melhor cortar algumas frutas para pĂŽr junto na papinha, ela ponderou, pois o leite artificial nĂŁo era tĂŁo bom e nĂŁo dava tanta sustancia quanto o leite materno. Sim, isso seria o melhor que ela poderia fazer, por ora.

— Porque eu o amo — Ouviu-se uma voz suave, porĂ©m firme, dizer ao fundo.

Sasha tornou olhar na direção de Mikasa. Ela jĂĄ havia arrumado os seus pertences, mas permanecia parada no mesmo lugar, parecendo estar desconectada de tudo em volta, o que certamente incluĂ­a o bebĂȘ.

— O quĂȘ? — Sasha indagou sem entender.

— Eu o amo — Mikasa repetiu. — É por isso que eu o defendo tanto.

Sim, Mikasa havia respondido a sua pergunta anterior. Sasha a encarou seriamente.

— E vocĂȘ acha que isso Ă© amor? — Ela indagou com indignação. O seu sangue parecia ter voltado a ferver. — Para mim, isso estĂĄ mais para obsessĂŁo, ainda mais quando vocĂȘ abandona o que mais deveria ser precioso para vocĂȘ pĂŽr causa de um manĂ­aco.

Mikasa a encarou com a expressĂŁo fria, mas com os olhos ainda em fĂșria.

— E o que vocĂȘ sabe sobre o amor? — Mikasa disparou secamente. — AtĂ© hoje, nĂŁo parou com ninguĂ©m.

Sasha sentiu a raiva voltar a despontar em seu peito. Aquilo jĂĄ era demais. Como Mikasa podia ser tĂŁo cĂ­nica?

— Sim, eu nĂŁo parei com ninguĂ©m atĂ© hoje, mas talvez seja porque eu cuido do seu filho?! — Sasha disse com o tom de voz mais alterado, totalmente irritada. — Porque dedico a maior parte do meu tempo a ele, esquecendo atĂ© de mim mesma, quando essa obrigação deveria ser sua e do Eren?!

Mikasa nĂŁo pareceu se afetar e a sua expressĂŁo de frieza permanecia a mesma.

— NinguĂ©m te obrigou a ficar com a criança, Sasha — Mikasa respondeu tentando parecer mais calma. Ela nĂŁo iria perder a cabeça por conta dos caprichos da amiga. — VocĂȘ ficou porque quis.

— Porque eu quis?! — Sasha esbravejou, dando a volta pelo balcĂŁo da cozinha. Que Deus a ajudasse ou ela estrangularia Mikasa na frente do bebĂȘ. — O que vocĂȘ quer dizer com isso, que eu deveria jogar o bebĂȘ fora, como se ele fosse um lixo, sĂł porque vocĂȘ e o Eren decidiram fingir que ele nĂŁo existe?! Eu nĂŁo sou como vocĂȘs, Mikasa!

— Se eu soubesse que vocĂȘ se tornaria essa pessoa insuportĂĄvel e que usaria o bebĂȘ como desculpa para jogar as coisas na minha cara, eu nĂŁo teria deixado ele com vocĂȘ — Mikasa disse de modo gĂ©lido e seco, mas visivelmente irritada.

— Ah, Ă© mesmo? E deixaria com quem? — Sasha inquiriu com um pouco de sarcasmo contrastando com a sua irritação crescente. — Iria colocĂĄ-lo numa cesta sobre um rio qualquer e deixar que a correnteza milagrosamente o levasse atĂ© alguĂ©m? VocĂȘ nĂŁo tem nenhuma noção das coisas que diz.

— Ah, e imagino que vocĂȘ, sim — Mikasa disse de modo irĂŽnico.

Os sentimentos de Sasha se alteravam entre raiva e indignação. Aquela mulher parada à sua frente não era mais a sua amiga Mikasa, mas uma casca vazia dela. Era como se estivesse vendo uma cópia do Eren, tão fria e vazia quanto ele.

— Sim, muito mais do que vocĂȘ — Sasha disparou sentindo um nĂł na garganta. Toda aquela situação a enojava. — Eu jamais abandonaria o meu prĂłprio filho por causa de um monstro que me tratasse igual a um lixo!

Normalmente, Mikasa faria qualquer um que falasse mal do Eren, ou que fizesse algum mal a ele, se arrepender amargamente, colocando-o em seu devido lugar. Mas tentaria ao mĂĄximo ignorar Sasha. Ela sĂł queria testar o limite de sua paciĂȘncia.

Os olhos de Mikasa se estreitaram e a sua raiva era nĂ­tida.

— Pense o que quiser — Ela disse de modo indiferente.

Um agudo silĂȘncio ecoou pelo ambiente onde havia um clima tenso e pesado. Sasha olhou para onde o bebĂȘ estava e se surpreendeu, preocupada, que o rostinho dele estava contorcido pela tristeza e pelo choro que viria.

— Oh...

Sasha se apiedou e correu atĂ© o bebĂȘ que jĂĄ emitia um choro manhoso. Ela o destrancou da cadeirinha e o pegou no colo, dando tapinhas de leve no pequeno bumbum para acalmĂĄ-lo.

Quando o bebĂȘ chorava daquele jeito, era difĂ­cil fazer com que ele se acalmasse. Tudo havia colaborado para que ele ficasse mais manhoso; a papinha que nĂŁo estava pronta, pois ele estava com fome, as discussĂ”es e vozes alteradas no ambiente e, principalmente, a indiferença vindo da mulher que deveria pĂŽ-lo nos braços e lhe cantar mĂșsicas de ninar enquanto o amamentava.

— Calma, calma... — Sasha continuou a dar leves tapinhas no bumbum coberto pela fralda. — Me desculpe.

O corpo de Sasha balançava levemente de um lado para o outro numa tentativa de fazer a pequena e delicada criança se acalmar. Ainda assim, o olhar rude dela se fixou em Mikasa.

— Viu o que vocĂȘ fez? — Sasha acusou. — EstĂĄ feliz agora?

Mikasa olhou do filho para Sasha e o seu olhar tornou a ficar rĂ­gido como antes.

— Quem começou com a discussĂŁo e os gritos foi vocĂȘ — Ela rebateu.

Sasha se pĂŽs em silĂȘncio, menosprezando o sentimento de desgosto.

Sim, foi ela quem havia começado. Maldito havia sido o momento em que tivera a ideia de confrontar Mikasa, mesmo que o pedido em questĂŁo fosse algo que ela sempre deveria ceder para o inocente menino que era sangue do seu sangue, jĂĄ que ela nunca o havia amamentado. Era como se Mikasa desistisse de qualquer ligação com o filho. Sim, era verdade. A Ășnica pessoa que persistia nessa "ligação" era Sasha.

Sasha tomou um longo suspiro e assentiu, derrotada. Não havia mais nada que pudesse fazer, era um caso perdido, ela pensou tentando acalmar a criança que ainda chorava.

Ela foi atĂ© a cozinha e apagou o fogo que fervia o pouco que restava da ĂĄgua jĂĄ vaporizada. Procuraria outra coisa jĂĄ pronta para o bebĂȘ comer, pois nĂŁo estava com cabeça para fazer nada no momento.

— Fique calmo — Ela disse ao bebĂȘ que ainda emitia um choro manhoso. — Creio que tenha algo pronto na geladeira para vocĂȘ comer.

Mikasa tambĂ©m suspirou, derrotada, sentindo-se mal por aquela situação. O bebĂȘ, o seu bebĂȘ, havia chorado por sua culpa, mas ela nunca saberia como resolver. Ela nĂŁo era Ăștil e dedicada como Sasha. Para dizer a verdade, Mikasa sentia-se uma estranha parada na entrada da sala, observando mĂŁe e filho numa conexĂŁo tĂŁo forte. Sasha era uma mĂŁe muito melhor do que ela. NĂŁo. Sasha era a Ășnica mĂŁe daquela criança, a Ășnica que o menino precisaria e que estaria lĂĄ para ele.

Ao abrir a porta da geladeira, Sasha ouviu ser chamada e ergueu os olhos na direção de onde Mikasa estava. O bebĂȘ tambĂ©m olhou para a mĂŁe, emitindo alguns gemidos, como se estivesse chamando por alguĂ©m.

— Eu vou embora — Mikasa declarou. — Por favor, cuide do bebĂȘ.

Sasha a fitou por um longo tempo antes de responder. Mikasa estava ainda mais pensativa que antes; não havia nenhuma sombra de um sorriso em seus låbios e o seu semblante não mais apresentavam uma feição gélida ou indiferente. Era isso mesmo o que ela estava pensando? Mikasa estava se despedindo definitivamente?

— VocĂȘ nĂŁo precisa me dizer o que eu sempre fiz — Sasha disse com rispidez, embora ela se perguntasse por que o semblante de Mikasa havia mudado para algo que parecia ser tristeza.

Ela nĂŁo estava pensando em abandonar o prĂłprio filho, ou estava? Apesar dela tĂȘ-lo abandonado hĂĄ muito tempo, mas Sasha podia sentir que dessa vez seria diferente. Como Mikasa podia ser tĂŁo egoĂ­sta?

Mikasa assentiu pensativa e pegou a bolsa pendurada no mancebo.

Sim, Sasha havia feito tanto pelo bebĂȘ, ocupando o lugar que deveria ter sido seu, mas que Mikasa jogou fora. Ela iria embora agora; nĂŁo havia mais nada a fazer ali.

— VocĂȘ vai embora, nĂŁo Ă©? Para sempre — Sasha disse com um tom de raiva,ainda acalentando o bebĂȘ em seus braços. — Vai abandonar tudo o que tem por causa daquele maldito.

A porta, que antes estava encostada, se abriu, surpreendendo os trĂȘs. Conforme ela se abria lentamente, Ă­a se revelando a silhueta de um homem alto e imponente. O seu par de coturnos pretos se fixaram na entrada da porta. Ele usava uma calça jeans um pouco desbotada, uma blusa de manga longa que tinha uma pequena corda trançada e solta no alto da gola, e tambĂ©m um enorme sobretudo emoldurando o corpo mĂĄsculo e firme, apesar do clima quente lĂĄ fora; o seu cabelo estava parcialmente solto e os frios olhos verdes estavam ocultos pelos Ăłculos escuros.

— Eren... — Mikasa disse o nome dele, um pouco surpresa com a sua presença, e deu um passo ao lado, dando-lhe mais espaço.

— Eren? — Sasha disse confusa. — Eu nĂŁo sabia que vocĂȘ estava aĂ­ esse tempo todo.

Eren mexeu levemente a cabeça, como se estivesse assentindo.

— Cheguei agora — ele disse com a sua voz grave e calma. — Mas acredito que vocĂȘ teria dito tambĂ©m em minha presença tudo o que disse para a Mikasa.

Eren a havia deixado na porta de casa e saĂ­do para resolver outras coisas. Mikasa sabia que ele logo apareceria, mas nĂŁo pensou que fosse naquele momento.

Sasha o encarou.

Eren mantinha um leve sorriso no canto dos lĂĄbios. Certamente aquele maldito estava debochando dela.

— Sim, eu teria dito na sua frente, pois, diferente da Mikasa, eu nĂŁo temo vocĂȘ — Ela disparou secamente.

— Sasha! Eu disse para vocĂȘ parar! — Mikasa a repreendeu.

Sasha a ignorou, igualmente a Eren que mais parecia nem notar a presença dela. O olhar dele, embora oculto pelos óculos escuros, mantinha-se fixo à frente, e então Sasha entendeu para quem ele olhava.

Sasha fitou o bebĂȘ em seu colo e notou que a criança olhava com espanto e surpresa para o estranho homem Ă  sua frente. Os olhos do menino nĂŁo piscavam, pois ele parecia estar maravilhado com aquela nova presença.

Mikasa olhou de Eren para o bebĂȘ.

Talvez a guarda dele se abaixasse um pouco ao olhar para aquele bebĂȘ? Talvez ele estivesse encantado por aquela criança que tinha os olhos tĂŁo iguais aos seus?

Sasha notou os olhos verdes do bebĂȘ brilharem, como se ele jĂĄ soubesse de quem se tratava, e suspirou triste por ele.

Os pais daquela criança estavam a poucos metros à frente, mas a distùncia entre eles era ainda maior. Nenhum dos dois o aceitava, principalmente aquele que deveria ser chamado de pai, mas estava bem longe de ser um. Afinal, havia sido ele a manipular totalmente Mikasa, obrigando-a a romper qualquer vínculo que não fosse com ele, o que também incluía o inocente fruto daquela relação perturbada e doentia.

— Veja, Eren, Ă© o seu filho — Sasha disse de modo quase sarcĂĄstico, testando atĂ© onde poderia ir Ă  indiferença daqueles dois. — Ou vocĂȘ vai fingir que ele nĂŁo existe, igual a Mikasa?

— Sasha!

Sasha ignorou Mikasa mais uma vez e continuou a encarar o homem Ă  sua frente, o queixo erguido em desafio.

Ele continuava a olhar para frente, o rosto sem demonstrar qualquer expressĂŁo. Sim, Sasha tinha de reconhecer que havia se enganado; ela havia pensado que Mikasa adquirira a mesma frieza de Eren, mas ele era muito pior. Aquele homem era desprovido de qualquer sentimento, o que nĂŁo era o caso de Mikasa — ainda.

Os olhos de Sasha se desviaram da direção dele. Eren era um caso ainda mais perdido que Mikasa; não valia mais a pena perder o seu tempo com ele, mesmo que fosse por uma causa nobre. O seu olhar pairou em Mikasa e Sasha percebeu que a postura da amiga não era mais a mesma postura firme de antes, mas uma postura hesitante, como se estivesse receosa ou com medo de algo.

— É isso o que vocĂȘ quer para a sua vida, Mikasa? — Sasha inquiriu, fitando a amiga de modo firme.

Por um Ășnico momento, Sasha pensou que haveria uma Ășltima chance. Uma Ășltima chance de sua amiga perceber a estupidez que estava cometendo e acordar de vez para a vida. Sasha almejava tanto isso, nĂŁo somente por Mikasa ser a sua melhor amiga, mas tambĂ©m por saber que ela era uma boa pessoa e que, no fundo, queria que as coisas fossem diferentes.

Por favor, volte, Mikasa, Sasha suplicou mentalmente em expectativa enquanto percebia o semblante de Mikasa deixar transparecer mais dĂșvidas e hesitação.

Mikasa tomou uma respiração profunda e encarou Sasha.

— NĂŁo se meta — Ela disse com a mesma rigidez e frieza de outrora.

Sasha engoliu em seco e se sentiu paralisar. Afinal, o que estava acontecendo ali? Por que ela ainda persistia tanto em algo que jå não havia mais solução?

Os olhos de Eren, antes tĂŁo fixos Ă  frente, voltaram-se para Mikasa. Ela o fitou de modo hesitante e Eren tornou a olhar Ă  frente, dessa vez para Sasha.

— VocĂȘ a ouviu — ele disse e Sasha notou novamente o pequeno sorriso arrogante no canto dos lĂĄbios carnudos dele. — Fique na sua. Vamos — ele chamou Mikasa que o seguiu.

Sasha engoliu em seco mais uma vez, mas agora com mais dificuldade, pois sentiu a sua garganta apertar e os seus olhos marejarem. Contudo, o Ășnico choro que preencheu o ambiente veio do bebĂȘ que observava os pais biolĂłgicos deixarem o recinto, o que chamou a atenção da mĂŁe que, por um certo momento, fitou o filho com o mesmo semblante hesitante, os olhos tambĂ©m marejados.

— Agora, Mikasa!

Mikasa pareceu despertar de seus pensamentos ao ouvir a voz de Eren ainda na entrada, e fitou brevemente a amiga e o filho antes de sair. O choro do menino repercutiu ainda mais alto no ambiente, a mĂŁozinha estendida para a porta que se fechou. Sasha sentiu uma lĂĄgrima descer em sua face e a enxugou rapidamente, tentando ao mĂĄximo acalentar o bebĂȘ.

— NĂŁo chore por eles, meu anjo — Ela disse baixinho, segurando a cabecinha do bebĂȘ contra o seu peito. — Eles nĂŁo merecem vocĂȘ.


— Espero que vocĂȘ tenha pego o necessĂĄrio de que precisa para nĂŁo voltar mais aqui — Eren disse apĂłs fechar a porta do motorista enquanto Mikasa jĂĄ o esperava dentro do carro. — Essa sua amiguinha insuportĂĄvel estĂĄ cada vez mais intrometida, e eu nĂŁo estou afim de me aborrecer com ela.

Mikasa tomou uma leve respiração, ainda presa em pensamentos, e assentiu.

— Sim, mestre.

Eren ligou o carro, mas, antes de partir, deslizou lentamente a sua mão direita pela coxa de Mikasa, subindo cada vez mais até chegar ao åpice quente abaixo da bolsa que ela segurava.

— E quando chegarmos na cabana, quero que vocĂȘ esteja bem molhadinha para mim — ele disse com a voz grave e rouca. — VocĂȘ me ouviu?

Mikasa apertou as laterais da bolsa e olhou para os Ăłculos escuros que ocultavam os olhos verdes e reluzentes que ela tanto amava.

— Sim, mestre — Ela murmurou.

— Bom — Eren disse por fim e retirou a mĂŁo, voltando a sua atenção para o carro antes de partir pela estrada.

Mikasa novamente tomou um longo suspiro, de modo sutil para que Eren nĂŁo percebesse, e olhou para o retrovisor ao lado, observando a sua casa desaparecer aos poucos.


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